E com que velho paperback vos sustentais hoje dr. Soliplass?

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Benditos aviões&etc., e um velhito paperback que tirei da estante. Venho trabalhar com a sensação de vir de férias, de deixar para trás um manicómio.

É agradável deixar para trás o som da língua portuguesa. Os gestos e olhares, a acrimónia. Tive genuína pena de um tipo há uns dias atrás. Vinha com uma proposta de compra de um pedaço de terra. Pena, não por a terra lhe dar jeito, ou fazer falta, não porque lhe falte dinheiro para me pagar. Tive pena dele num momento futuro e improvável, que, a depender de mim nunca ocorrerá. O momento, depois da concretização da compra (preferivelmente bem abaixo do preço justo) em que me criticaria por ter vendido. Por dissipar (ou “estragar” – segundo a gíria local) tudo quanto o meu pai me deixou.

E acabo por não lhe poder (sendo justo) levar a mal. Aprendeu assim, ou assim lhe ensinaram…

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Da moderação

É certo que o passar dos anos nos torna mais moderados. Nalguns casos é gradual, noutros há uma viragem súbita na forma de encarar o funcionamento do mundo. Caso típico, conheço alguns, é a viragem que ocorre quando um dos filhos entra em Curso de Gestão na Católica, ou similares. Há uma conversão súbita aos valores da meritocracia, as desigualdades sociais como problema grave da sociedade quase que desaparece do rol dos problemas correntes. Passa a ser assunto de radicais.

Este senhor, aparenta padecer, porém, de moderação cíclica.

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Dos vivos e dos mortos

O que torna particularmente nojento este arremesso político com o número de mortos dos incêndios por parte de certos indivíduos nossa direita, é saber que se os infelizes que ali faleceram em vez de terem estado no sítio certo à hora errada tivessem entrado num dos restaurantes que os primeiros frequentam, ou num lançamento de livro para que são convidados, ou na mesma praia em que eles e os filhos vão a banhos, torceriam imediatamente o nariz pela companhia, ou presença, de tal «gentinha».

A tais arremessos, portanto, cumpre apenas um comentário curto e grosso: puta que vos pariu! E quem não vos conhecer que vos compre! Ou venda!

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Boxeando o boxer

IMG_20170724_142757 Amarelinha saída da revisão, fina prás curvas, ligerinha dos sapatos, Nazar’é um pulo…

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Raridades e riscos

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Uma raridade, esta crónica no DN e este cronista: um plumitivo que sabe o que é uma paveia, uma enxada e,… roçar mato. Raridade ainda maior, que o o confessa:

A última coisa que um miúdo com 12, 13 anos quer, durante as férias do verão, é ir cortar mato. Sobretudo quando os termómetros marcam mais de 30 graus, quando toda a gente está na praia e, não menos relevante, quando se detesta essa nobre e importante arte de… cortar mato. Mas três meses de férias escolares dão para fazer muita coisa e os meus pais sempre acharam importante ensinar–me a cuidar da terra. Por isso, num desses períodos de férias de verão, a minha mãe decidiu que eu ia com o meu tio cortar mato para um pinhal de família. Ele levava a sua enxada, eu a minha, e lá fomos nós. Que remédio!”

Correndo o risco de ficar ad eternum com este blog desqualificado  já aqui escrevi sobre esse instrumento que uso – a gadanha. Entre nós é quase desconhecido – povo que Fernando Pessoa disse só de príncipes na vida e de outros não tinha notícia – a não ser é claro (povo de iluminados) pela iluminura das Les très riches heures du duc de Berry, que ilustra os trabalhos de Junho. Mas eu não ganho a vida com isto nem procuro esclarecer a opinião pública, o risco é minúsculo.

Ao contrário, este pobre homem, ao confessar coisas destas numa crónica em jornal de referência, arrisca-se a ser para todo o sempre afastado do debate e banido da intelectualidade lusa.

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Bom nome: Bordel Investment…

[…] Segundo a investigação da TVI de Março de 2015, a alegada ficha de Filomena Martinho Bacelar na filial do HSBC na Suíça surgia ligada a um offshore chamado Bordel Investment Holdings Limited. […]

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fatalidade ou bênção

Não sou nem nem lembro ter sido aquele tipo de indivíduo a quem perspectiva  da morte (própria) amedronte. Hoje, na volta ciclística, alguns dos que por mim passavam apontavam para a cabeça. Admoestação. Não levei capacete. Muitas vezes não levo. Mais cedo ou mais tarde, um dia morrerei, não há capacete que me salve disso. Se morrer mais cedo, dado que não pratico golf nem invisto na bolsa, e sou assalariado, deixo de ser um peso prá economia. Enquanto vivo, e porque já vou nos cinquenta e cinco, de vez em quando apetece-me apanhar vento no cabelo. Não sei (o cabelo) quanto durará, é aproveitar.

Há coisa de um ano e picos, ligou-me flausina bem-falante a tentar vender um seguro de saúde. Dei em rir. «Ó minha cara senhora, isto pra quem nasce num país que elege um cavaco quatro vezes, a morte não é uma fatalidade. É uma bênção.» «Ai credo, não diga isso!», respondeu de lá a flausina.

Passaram três anos,

….e continuo indeciso.

Entretanto, e a respeito do indecidível, corre polémica de vulto no reino da Noruega. Kristian Skagen Ekeli (professor da universidade de Stavanger – alguns do seu trabalho está disponível aqui) co-publicou crónica no Atenposten onde sustenta que cidadãos ignorantes, irracionais e irresponsáveis (uvitende, uansvarlige og irrasjonelle borgere har en moralsk plikt til å avstå fra å stemme) têem o dever moral de se abster de votar.

Olhando canalha como a do vídeo acima, diria que o argumento do bom professor, não sendo fácil de engolir, dada a tradição ocidental, é de considerar.

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