the hot green was just hanging on by its teeth

 

“It was a hotel near the top of a hill, just enough tilt in that hill to help you run down to the liquor store, and coming back with the bottle, just enough climb to make the effort worthwhile. The hotel had once been painted a peacock green, lots of hot flare, but now after the rains, the peculiar Los Angeles rains that clean and fade everything, the hot green was just hanging on by its teeth—like the people who lived inside.”

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Charles Bukowski,  primeiro parágrafo de The way the dead love, in South of no North, Black Sparrow Press, 1973

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Câmara escura do país democrata

Se bem que alguns estejam tentados a comparar o Goucha a palhaço rico num circo de província, são-lhe ainda devidas duas justiças:

a) guarda-roupa de melhor qualidade e exuberância .

b) permitir a revelação do país indignado e democrata. Dir-se-ia outro (e não o mesmo) que ante líder chinês senta deita, rebola e dá a pata.

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Mytting & Petterson

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O outono norueguês trouxe uma mão cheia de boas surpresas entre os quais estes dois belíssimos exemplares. «Os sinos irmãos» (traduzido à letra «irmãs» dado o feminino de sino) de Lars Mytting e «Homens na minha situação» de Per Petterson. Se Petterson, dada a divulgação mundial que os seus livros alcançaram, já dispensa apresentações, Mytting é menos conhecido. E no entanto, parece-me a mim melhor romancista. Desde que lhe li o primeiro romance, Hestekrefter – que eu traduziria por «Cavalos-potência» –, pareceu-me um romancista de primeira água. Os seus romances, em relação às atmosferas mais intimistas de Petterson e à frequentes «correntes de consciência» que o podem tornar um pouco monótono, desenrolam-se a um ritmo muito mais fluente e deixam o leitor preso à trama desde as primeiras páginas.

Se me permitem o conselho, leiam o penúltimo romance dele que foi sucesso internacional. Há versão espanhola, francesa e inglesa na Wook. Aconselho a inglesa, se bem que não perceba bem porque mudaram tão radicalmente o título que em norueguês é «Nada com aqueles que se afogam» para «As dezasseis árvores de Somme» . A estrutura da língua é muito mais parecida com o inglês, e o preço, muito convidativo.

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Sociabilidade e má-consciência

Familiar directa convida-me para ir passar a noite de Natal com a família, que não a passe sozinho. Entre Cila e Cararíbdis, recuso, tento explicar.

Cada vez mais me custa conviver e ouvir gente que é, ou que considero, pouco mais que analfabeta. Que não lê, que conhece pouco mundo; pouca História e poucas histórias. Depois sinto-me duplamente mal; com má consciência de avaliar assim os outros. Roça a sobranceria, de alguma forma a injustiça e a crueldade. Na maior parte dos casos, nas suas vidas (dado o sítio onde nasceram e viveram), não tiveram nem a oportunidade nem o incentivo de aprender mais. Ou melhor.

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Inicio e fim de ano

Acabei o ano (fim da tarde de ontem) a podar oliveiras. E começei, hoje cedo, a lavar roupa e loiça, fazer um check-in na Tap para o vôo de amanhã, aspirar e lavar o chão da casa (aproveitando as janelas voltadas a sul e o sol que por elas entra), limpar o pó que era mais que muito. Só tarde, ontem, ao fazer o jantar, me aprecebi que nem pinga: nem cerveja nem vinho em casa para comemorar a viragem. Uma escravatura pegada…

Neste inglório processo só o urso se diverte…

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Elogios de divulgação, ou dois coelhos de uma cajadada

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A foto ficou por aqui esquecida. Um dia qualquer de Outubro do ano passado, chuvoso. Numa caixa de madeira de em alfarrabista em Oslo, este Las Venas. Batido, sujo, com manchas de bolor. A livreira não quis dinheiro por ele, que ninguém por ali lê espanhol…

E ao mesmo tempo o objecto é comovente, porque já uma quadragésima edição; de 1985. Em 14 anos desde a sua publicação original em 71, o livro tinha suscitado um enorme interesse. Testemunha, tanta edição em tão pouco tempo, a enorme aceitação do público. Ao mesmo tempo, olhando-o ali na mesa da esplanada em Oslo a fazer horas para ir tomar o avião de regresso a Lisboa, suscitava um sorriso.

Desgostoso de se ler ou falar ou elogiar tão pouco Galeano em Portugal, em 2011 em visita a Buenos Aires, entrando na El Ateneo, lembrei-me de súbito que conhecia o gajo perfeito para divulgar o livro entre nós. E de lá o trouxe. Um verdadeiro “cosmopolita” no sentido que lhe dá Sontag no post abaixo. Mas acima de tudo, um tipo de escritor e de pessoa da parte de quem o elogio não desagradaria (ou envergonharia) a Galeano. Dois coelhos de uma cajadada, portanto.

Sorri ali a olhar o livro a lembrar-me disto, este belíssimo post de divulgação. E da amizade deste admirável barbudo, uma das coisas mais gratas que este blog me trouxe.

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Susan Sontag sobre Joseph Brodsky, merda na Rússia, cosmopolitanismo e a quem agradar no que se escreve

[…]

“He was elegant enough always to claim that he had not really suffered during that year and a half of internal exile; that he rather like farmwork, specially shoveling manure, wich he regarded a one of the more honest and rewarding jobs he’d had so far, everyone in Russia being mired in shit, and got quite a few poems written there.”

[…]

” – landing amongs us like a missile hurled from the other empire, a benign missile whose payload was not only his genius but his native literature’s exalted, …”

[…]

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“Such adaptability, such gallantry, may go by the name of cosmopolitanism. But true cosmopolitanism is less a matter of one’s relation to place than to time, specifically to the past (which is simply so bigger than the present). This has nothing in common with that sentimental relation to the past called nostalgia. It is a relation, unsparing to oneself, which acknowledges the past as the source of standards, higher standards than the present affords. One should write to please not one’s contemporaries but one’s predecessors, Brodsky often declared.”

(Susan Sontag, Joseph Brodsky, in Where the Stress Falls, Picador, NY, 2002, pp 330-31)

 

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