ele há coisas,

relativamente simples e ainda assim bonitas. De (considerando) módico preço. Aqui está uma, arrecadação de barco transformada em casa de férias. (clicando nas setas laterais à imagem fica-se com uma ideia da melhor)

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é a vida

– Há uma coisa que reparei, no teu blog nunca escreves sobre amor.

(não é bem assim, há uma quase-citação do caçar guitarras debaixo de lua cheia)

– Pois, mas fica um bocadinho ridículo um gajo com um salário bem abaixo dos cinco mil euros estar a escrever sobre o amor e coisas assim…

-?

– Imagina um gajo que fosse cangalheiro a escrever sobre sobremesas num blog… não liga, por mais voltas que a gente lhe dê…

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Crueldades, prazeres e goladas

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É retinta crueldade eu sei, deixar um cristão ver um copo de imperial geladinha como a do post abaixo, sem saber se ele tem à mão outra igual. Eu sei.

Mas há outra que talvez desconheçam. É deixar os amantes de cerveja no desconhecimento de um texto de Philippe Delerm no interior do seu delicioso livrinho sobre os pra(l)azeres do quotidiano. Reza como se segue:

“La première gorgée de bière

C’est la seule qui compte. Les autres, de plus en plus longues, de plus en plus anodines, ne donnent qu’un empâtement tiédasse, une abondance gâcheuse. La dernière, peut-être, retrouve avec la désillusion de finir un semblant de pouvoir…

Mais la première gorgée! Gorgée? Ça commence bien avant la gorge. Sur les lèvres déjà cet or mousseux, fraîcheur amplifiée par l’écume, puis lentement sur le palais bonheur tamisé d’amertume. Comme elle semble longue, la première gorgée! On la boit tout de suite, avec une avidité faussement instinctive. En fait, tout est écrit: la quantité, ce ni trop ni trop peu qui fait l’amorce idéale; le bien-être immédiat ponctué par un soupir, un claquement de langue, ou un silence qui les vaut; la sensation trompeuse d’un plaisir qui s’ouvre à l’infini… En même temps, on sait déjà. Tout le meilleur est pris. On repose son verre, et on l’éloigne même un peu sur le petit carré buvardeux. On savoure la couleur, faux miel, soleil froid. Par tout un rituel de sagesse et d’attente, on voudrait maîtriser le miracle qui vient à la fois de se produire et de s’échapper. On lit avec satisfaction sur la paroi du verre le nom précis de la bière que l’on avait commandée. Mais contenant et contenu peuvent s’interroger, se répondre en abîme, rien ne se multipliera plus. On aimerait garder le secret de l’or pur, et l’enfermer dans des formules. Mais devant sa petite table blanche éclaboussée de soleil, l’alchimiste déçu ne sauve que les apparences, et boit de plus en plus de bière avec de moins en moins de joie. C’est un bonheur amer: on boit pour oublier la première gorgée.”

Delerm, Philippe. La première gorgée de bière. Paris, Gallimard, 1997 (pp. 31-32)

Gostando da amostra, há mais uns quantos disponíveis.

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Títulos que se enquadram

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Título que se enquadra; ou enquadramento que lhe diga (ao título)… “se non è vero, è ben trovato”.

Abstenhando-me de fogos, que a ótoridade pra falar de prevenções e combates, gestão de recursos e planificações, florestais ou outras, é, ou parece ser, proporcional ao custo da gravata.

Não é por má vontade, mas por inútil; como trago explicado, para descrédito aqui do âncoras, eu, é mais cavacas. Por contraponto a um Zé Gomes Ferreira da SIC (ou, fórdefóquesseique, a uma senhora académica da Universidade aveirense) trago demasiada resina debaixo das unhas pra falar disso…

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Ideais-tipo e a bloga

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Em “O Meças”, romance que é tratado de sociologia lusa e dos mais agudos, Rentes Carvalho faz-nos ver, hospedados num hotel transmontano, uns personagens místicos a quem as gentes locais, ávidas ou necessitadas, votam reverência. Até que (sic), “Subitamente desaparecem ambos”. São eles, segundo a descrição de Rentes, deste feitio :

“o garbo acentuado pela magreza, longas melenas grisalhas, o senhor veste linho branco como os coloniais de antigamente, deles guarda o azedume autoritário com que fala ao pessoal e atende os que lhe vêm com petições ou esperam ordens.

Isolado num recanto, pernas estendidas, fazendo girar a bengalinha de castão de prata, escuta os requerentes com um ar de soberano tédio, acena que sim a este, despede outro com um agitar dos dedos, quando se levanta mostra uma displicência
aristocrática, e os que ali estão recuam, abrem alas, demonstrando o misto de respeito, subserviência e medo que se espera dos oprimidos na presença do ditador.”

(…)

“Ali no canto o homem dá audiência e despacha como lorde em salão de castelo, nem sequer falta o secretário que, reverente na postura, lhe traz um por um os solicitantes.”

E a acompanhante:

“Em certas tardes, hierática, esfíngica, de palidez nórdica e vestida de sedas que a cobrem por inteiro, senta-se com ele uma estrangeira a quem nunca se ouviu palavra.”

(…)

 “Certas manhãs, antes de o Sol nascer, vêem-na agachar-se junto da piscina, virada para o nascente, em pose de ioga e olhos fechados, murmurando como se estivesse a rezar.”

 

Às vezes, penso reconhecê-los por aqui, na lusa bloga…

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E porque quem nos avisa nosso amigo é…

Pedro Tadeu no DN: A “gerigonça” está em perigo?

«Pedro Passos Coelho acabou por ganhar as últimas eleições em Portugal, embora sem maioria para formar governo, entre outras razões porque uma parte do eleitorado receava o regresso ao poder do Partido Socialista e, com ele, a reescalada ao píncaro da corrupção nacional.

No domingo, um dos derrotados pelos êxitos da “geringonça”, António Barreto, escrevia aqui no DN que a verdadeira “obra-prima” (sic) de António Costa foi ter conseguido desassociar-se de José Sócrates e do seu governo que “apoiado nalguma banca pública e privada, ajudado por um bando de empresários sem escrúpulos e assessorado por consultoras internacionais complacentes, atingiu níveis de endividamento único na história de Portugal, assim como de corrupção, de desperdício de recursos, de destruição de empresas públicas, de favoritismo em concursos e nomeações…”

Pois é este capital político que António Costa coloca em perigo com a nomeação de figuras do antigo “arco da governação” para liderar instituições como a Caixa Geral de Depósitos ou a TAP, dando o sinal de que o “bloco de interesses”, que sempre originou a corrupção no país, está, afinal, de boa saúde e operacional.

É este capital político que António Costa coloca em perigo quando nomeia um amigo para o conselho de administração da TAP ou quando uma sobrinha do líder parlamentar do PS aparece contratada por uma empresa da Câmara de Lisboa.

É este capital político que António Costa coloca em perigo quando “deixa acontecer” o acordo “por debaixo da mesa” com António Domingues na CGD ou o ridículo bilhete e viagem para um jogo de futebol ofertado pela Galp e aceite por um secretário de Estado.

Este é também capital político do PCP e do Bloco de Esquerda, que estiveram sempre fora destas negociatas que beneficiaram também, muitas e muitas vezes, o PSD e o CDS.

E se PCP e Bloco podem, por enquanto, ceder alguma coisa ao PS e à União Europeia em matérias económicas – em nome do bom senso e da melhor solução possível, no curto prazo, para os mais desfavorecidos – não podem é ceder em matérias de promiscuidade política/financeira e em matérias de corrupção, pois a sua própria sobrevivência política seria, dessa forma, posta em causa.»

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Zarpando

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Zarpando hoje de cidade alemã, venho fumar um cigarro ao sítio do costume. A sala de fumo é menos má, com vista pró mar, hoje presenteando a tripulação da escuna com sol e brisa (fagueirinha – nem de encomenda), visão das gentes domingueiras velejando a tarde.

Descendo aos aposentos onde há net, zarpo daqui por essa bloga fora ao acaso, passo pelo Ouriquense e pel’A morte do escritor, vou parar ao texto de Guerreiro no Público e sua crítica «uma campanha bem sucedida porque no dia seguinte houve abundantes notícias e reportagens sobre a aldeia de Estevais e o filho ilustre da terra» e acabo num sítio já esquecido: o post que, há já mais de uma década, Pacheco Pereira deixou no Abrupto em homenagem do labrinto solitário de Mário Sottomayor Cardia. Cuja primeira frase é, simultaneamente, historiográfica e profética:

«Em Portugal os mortos são todos bons e os vivos todos maus. A explicação é simples: tudo é escasso, os bens são escassos, logo cada vivo ocupa um lugar a mais, o lugar que poderia ser o meu.»

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