Outros jornalistas: Anders Mehlum

 

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Anders Mehlum (1849-1943)  foi jornalista, escritor e redactor de um jornal semanal intitulado Nu (Agora) publicado na Noruega entre  os anos  1896 e 1937. Original de Trondelag, inicialmente educado como professor, profissão que ainda exerceu, viria também a ser autor de sete livros, na sua grande maioria sobre vida local, o último, publicado aos 85 anos um romance de amor «Karen og Nils».  Já jornalista experiente, como redactor do Morgenbladet onde trabalhou durnate sete anos, aos 48 Mehlum fudou o semanário Nu, com edição média de 4000 exemplares, chegou aos 3 000 subscritores, numero considerável se atentarmos ao facto do jornal Dagbladet ter à época cerca de 15 000. Sendo a produção produção do semanário, ou hebdomadário, distribuição, venda etc., obra de um homem só, apenas a impressão entregue a terceiros.

Com o seu ar original de velho profeta, Mehlum era figura conhecida e familiar , especialmente entre a área de Valdres og Hallingdal, mas também em Buskerud e Ringerike, onde calcorreava os caminhos vendendo o seu jornal e colhendo histórias e notícias, existindo nesta área ainda hoje uma cabana (aqui, sobre caminhos velhos no blog Sognefaret) com um quarto designado por quarto de Mehlum, onde o original jornalista pernoitava frequentemente.

O historiador Thor Gotaas, que já por aqui referi a respeito da sua História dos vagabundos na Noruega, dedicou-lhe um livro biográfico, o Livslang Skrivekløe: Historien om den vandrende redaktør Anders Mehlum, e aqui, no site Nesbyen, podem ver-se mais algumas fotos deste homem invulgar e hoje fonte importante para a história etnografia local bem como reproduções do seu jornal Nu.

Diz-nos o Dramen Bylexikon que na sua última deambulação de Hallingdal para Ringerike no verão de 1942 adoeceu e faleceu Sokna, aos 94 anos de idade. O seu alforge com livros e artigos e as suas roupas e bastão,  constituíram a soma dos bens terrenos que deixou.

 

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Reblogando dos vestígios arqueológicos do Âncoras

O Ganhão e os vint’cinco tostões.

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Fontes privilegiadas e a entrevista

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É um episódio caricato, e um aviso a quem se fia demasiado em fontes bem-informadas (coisa que teria aproveitado a Cavaco no caso do BES), contado por Brendan Gill que escreveu um livro precioso para quem estiver interessado no funcionamento (até aos anos 70) da revista, o Here at the New Yorker.

Brendan Gill tinha viajado com a família até à Irlanda no verão de 39 tendo-lhe sido concedido o (supostamente) grande privilégio de uma entrevista a De Valera que à época era não só o primeiro-ministro da Irlanda como também o presidente da Liga das Nações. Liga que andava nesse Verão em trabalhos febris para prevenir o desencadear da 2ª Guerra Mundial, sendo De Valera o homem reconhecido como melhor informado sobre o assunto. Assegurou a Gill que não haveria guerra…

A família regressou aos Estados Unidos num navio de linha americano (o Washington) apinhado de gente menos optimista que De Valera. Entre eles Edward G. Robinson e família que se viram forçados a comprar a cabine do Purser por não haver outra disponível e Sara Delano Rosevelt confidente que her boy, Franklin, iria resolver o problema.

Ao atracar em Nova Iorque, Gill foi então entrevistado por um repórter do Hartford Courant sendento de notícias da Europa – acabado de desembarcar era suposto vir bem informado das últimas. Já em casa do pai em Hartford, Gill, na manhã de 3 de Setembro, lê no jornal que Hitler tinha atacado a Polónia e que a Inglaterra se tinha aliado à França. Estava desencadeada o maior conflito do séc. XX. Na última página havia um cabeçalho de um pequeno artigo com o seu nome: NÃO HAVERÁ GUERRA, DIZ BRENDAN GILL.

 

(no Here at the New Yorker, NY, Da Capo Press, 1997, pp.156-7)

 

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Onde é que se encontram por cá taberneiros destes?

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Entre o aclamado e premiado Angela’s Ashes (relato da infância miserável na Irlanda onde a família regressou vinda dos Estados Unidos) e o comovente Teacher Man (relato dos seus anos de ensino) situa-se o ‘This onde McCourt, sempre com o humor prodigioso que o caracteriza, descreve o seu regresso à América, jovem adulto. É aí , nos primeiros dias em Nova Iorque, que encontra um bar invulgar e um barman de excepção. É ler:

 

 

When you’re Irish and you don’t know a soul in New York and you’re walking along Third Avenue with trains rattling along on the El above, there’s great comfort in discovering there’s hardly a block without an Irish bar: Costello’s, the Blarney Stone, the Blarney Rose, P. J. Clarke’s, the Breffni, the Leitrim House, the Sligo House, Shannon’s, Ireland’s Thirty-Two, the All Ireland. I had my first pint in Limerick when I was sixteen and it made me sick, and my father nearly destroyed the family and himself with the drink, but I’m lonely in New York and I’m lured in by Bing Crosby on jukeboxes singing “Galway Bay” and blinking green shamrocks the likes of which you’d never see in Ireland.

There’s an angry-looking man behind the end of the bar in Costello’s (…)

(…) the angry man turns to me. And you, he says, are you eighteen?

I am, sir. I’m nineteen.

How do I know?

I have my passport, sir.

And what is an Irishman doing with an American passport?

I was born here, sir.

He allows me to have two fifteen-cent beers and tells me I’d be better off spending my time in the library than in bars like the rest of our miserable race. He tells me Dr. Johnson drank forty cups of tea a day and his mind was clear to the end. I ask him who Dr. Johnson was and he glares at me, takes my glass away, and tells me, Leave this bar. Walk west on Forty-second till you come to Fifth. You’ll see two great stone lions. Walk up the steps between those two lions, get yourself a library card, and don’t be an idiot like the rest of the bogtrotters getting off the boat and stupefying themselves with drink. Read your Johnson, read your Pope, and avoid the dreamy Micks. I want to ask him where he stands on Dostoyevsky, but he points at the door. Don’t come back here till you’ve read “The Lives of the Poets.” Go on. Get out.

It’s a warm October day and I have nothing else to do but what I’m told and what harm is there in wandering up to Fifth Avenue where the lions are. The librarians are friendly. Of course I can have a library card, and it’s so nice to see young immigrants using the library. I can borrow four books if I like as long as they’re back on the due date. I ask if they have a book called “The Lives of the Poets,” by Samuel Johnson, and they say, My, my, my, you’re reading Johnson. I want to tell them I never read Johnson before, but I don’t want them to stop admiring me. They tell me feel free to walk around, take a look at the Main Reading Room, on the third floor. They’re not a bit like the librarians in Ireland, who stood guard and protected the books against the likes of me.

The sight of the Main Reading Room, North and South, makes me go weak at the knees. I don’t know if it’s the two beers I had or the excitement of my second day in New York, but I’m near tears when I look at the miles of shelves and know I’ll never be able to read all those books if I live till the end of the century. There are acres of shiny tables where all sorts of people sit and read as long as they like, seven days a week, and no one bothers them unless they fall asleep and snore. There are sections with English, Irish, American books, literature, history, religion, and it makes me shiver to think I can come here anytime I like and read anything as long as I like if I don’t snore.

I stroll back to Costello’s with four books under my arm. I want to show the angry man I have “The Lives of the Poets,” but he’s not there. The barman says, That would be Mr. Tim Costello himself that was going on about Johnson, and as he’s talking the angry man comes out of the kitchen. He says, Are you back already?

I have “The Lives of the Poets,” Mr. Costello.

You may have “The Lives of the Poets” under your oxter, young fellow, but you don’t have them in your head, so go home and read.”

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les fiançailles de l’humanité avec le bonheur

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S’il est permis de se prononcer sur ce mystérieux bonheur des hommes, je soutiendrais volontiers qu’ils n’ont jamais été plus heureux qu’à la fin du XIXe siècle et au début du XXe, non pas parce qu’ils l’étaient vraiment en ces débus de l’industrie mais parce que, enfin, après tant de millénaires, ils espéraient le devenir. Pendent des siècles et des sìecles, ils n’avaient même pas espéré. Le rôle formidable du socialisme a été de donner à la masse des hommes une espérance de bonheur. Que les fruits du socialisme, du communisme, du stalinisme, aient tenu la promesse des rêves, des espérances et des fleurs, c’est une autre question, et dont la réponse est douteuse. Je me demande si les hommes n’ont pas été dans la situacion de ces fiancés fous d’amour qui rêvent de leur avenir avec la femme qu’ils aiment. Jamais le mariage n’est aussi beau que les fiançailles. Le socialisme aura constitué, pendent un siècle, les fiançailles de l’humanité avec le bonheur.”

Jean d’Ormesson, in Au plaisir de Dieu (Cap. II – La prostituée de Capri)

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Reblogando

Experimentei outras tardes e outras montanhas nos anos em que pratiquei vôo livre, mas, confesso, nada de tão deslumbrante quanto isto. Experimente com este piloto: Vôo nos Dolomites.

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Papas irrisórios

Esta coisa de um tipo com ar de trabalhador braçal como eu ser normalmente olhado de soslaio em eventos culturais (tema de um post abaixo) acaba por ter alguns episódios potencialmente engraçados.

Quando há cerca de um ano atrás um encenador que estava para trazer ao público a peça de Jon Fosse (Sonen – O filho) me contactou por e-mail a pedir uma pequena ajuda na tradução de trechos da peça, além do facto de ela ter sido escrita na língua ou variação da língua norueguesa Nynorsk com que estou menos familiarizado, os trechos apresentavam um problema interessante já que um dos personagens tinha o nome (ou alcunha) de Papa (Paven). Se bem que já antes do cisma religioso da Reforma nas línguas nórdicas existissem termos ou palavras compostas com o termo Papa ( o caso de  þrætupáfar (anti-papa ou contra-papa) og villupáfar (falso papa), provávelmente reflexo de pouca simpatia pelo catolicismo, é a partir da Reforma que os termos compostos com a palavra papa passam a ter um sentido pejorativo, sendo usados frequentemente como forma de escárnio ou crítica a quem tenta fazer-se passar por mais importante do que é. Desses papas “importantes” e auto-proclamados são exemplo os termos pejorativos e derrisórios bygdepave (papa de aldeia), maktpave (papa poderoso), skitpave (papa de esterco), småpave (pequeno papa). A lista é extensa e pode incluir desde resmungão a vigarista: eglepave, ertepave, ranglepave; vinglepave, fomlepave, rolsepave, rotepave, somlepave, tatlepave, tutlepave, furtepave, kranglepave, surpave, sutrepave,juksepave, snytepave; skrytepave, skrønepave, lortpave, siklepave, snottapave, snørrpave, etc., …

Acabei por traduzir a palavra, ou nome, ou alcunha do personagem ao encenador simplesmente por «Papa» para não estar com mais complicações ou sufixos. Havia ainda outra hipótese que era o outro significado comum de paven; «paven» designa também o saco estomacal dos lagostins e outros crustáceos, algo de não comestível e intragável, repulsivo. Ler a peça toda foi a forma de tentar confirmar se alguma descrição física do personagem não estaria relacionada com esse saco estomacal dos crustáceos. O facto foi que um pequeno problema acabou por consumir horas, num altura em que andava cansado destes trabalhos. Acabei por ter alguma curiosidade até de ver a peça encenada. Mas logo pus a ideia de parte para que não ter a experiência de olhares de soslaio e comunicações não verbalizadas de que o meu lugar não é ali. Não deixa de ser engraçado imaginá-los a pensar o qu’é qu’este grunho vem prá’qui fazer

É claro que o exercício acabou até por ser compensatório. Quando se pesquisam diccionários etimológicos em língua norueguesa acabamos por ser remetidos quase sempre para diccionários dinamarqueses. Foi aí que deparei com mais um termo que envolve «Papa», já mais moderno e aplicado ao mundo da burocracia, «skrankepaven» (papa de balcão) ou (papa de balcão de repartição pública). Designa o burocrata que se arroga o direito (ou dever) de complicar a vida aos outros, aqueles que em princípio deveria servir. Papa de balcão seria até alcunha que poderíamos utilizar por cá, em mundo católico, porque por repartições e serviços são bastos.

Talvez até, a Augusto Santos Silva não assentasse mal (já que absolve Bolívias e excomunga Venezuelas) Papa de Chancelaria. Pensando melhor, talvez pêga de chancelaria, pela voz grasnífera e pelo seu ar saltitante de corvídeo. Dado o polissémico de «pêga» e já que a tradição de meretrício de Portugal na cena internacional é tautológica e reconhecida, o título poderia até ser hereditário e passar a futuros Ministros dos Negócios Estrangeiros.

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