Forquilhas por boas-vindas

 

Man and woman with stern expession stand side-by-side. The man holds a pitch fork and wears glasses.

O meu avô materno, homem sensível e púdico, de quem se acreditaria terem-lhe aparecido em casa quatro filhas por encomenda postal, ao pedido do veterinário de o ajudar a amparar o bezerro nascituro, para não ter as mãos em contacto com aquele ser pegajoso, pegou numa forquilha de ferro. E com ela por  berço berço se preparava para lhe dar as boas-vindas ao mundo. Até que o veterinário escandalizado o mandou sumir-se dali e chamar antes a mulher.

Bibliófilo e bibliómano, que me lembre, fui uma vez à feira do livro. Mais uma passou sem que lá pusesse os calcanhos. Queimado do sol, musculado, os braços arranhados, aquela gente dos livros, grave, pálida e de ombros estreitinhos, se pudesse, recebia-me também com uma forquilha. Como aquele caso de Ana Gomes trazendo ao congresso o tema da corrupção há coisas, e seres, que simplesmente não são bem-vindos.

Umas vezes a coisa diverte. Outras, simplesmente, chateia. Valem-me livrarias e afarrabistas no norte da Europa onde sou cliente grato e o tratamento é amistoso. E não é preciso ir com o fato (ou linguagem) do Domingo.

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Companhia de ver o mar

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Tinha saudades de ver o mar, de lhe sentir o cheiro e a voz. Apesar do brumoso e do chuviscar foi passeio agradável e em boa companhia. Está formoso e bem-disposto o infante com quatro meses e três dias. Um companheirão.

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«kaaaaiii-kaaaiii-kaai-kaa-ka-ka-ka-ka» e «tontejanar»

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…”kaaaaiii-kaaaiii-kaai-kaa-ka-ka-ka-ka”, é um som característico do acordar em Oslo. Gaivotas. Há quatro semanas, ao acordar no hotel com o grito queixoso e melancólico que Karl Ove Knausgård grafa assim no seu segundo romance publicado, apercebi-me do quanto me fazia falta o som omnipresente na cidade, tantas vezes o primeiro que se ouve ao acordar. Romance meio chatito para um agnóstico como eu, com muito anjo e muita bíblia, deste «Um Tempo para Tudo» lembrava-me desta passagem onde se relata o primeiro apontamento escrito – no início do séc. XVII por Peder Claussøn Friis, pastor em Audnedal e Stavanger – e a migração das aves para as terras do interior onde seguem os tractores como se barcos de pesca no mar. Fui por ela; passando por alfarrabista, por tuta e meia, comprei o romance e lá estava o estimado “kaaaaiii-kaaaiii-kaai-kaa-ka-ka-ka-ka”,

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Na passada sexta, ao limpar uma das terras que herdei do meu pai, chega o Vitor alfaiate (o agulhas) e vai de prosear daquele trabalho ciclópico a que me entreguei sozinho. Aprova e elogia. Sempre grato porque lhe damos a água das lagoas para a rega numa propriedade que tem a jusante, diz que se eu precisar de ajuda… peço. Preciso de cortar um tufo de roseiras bravas que cresceram a alturas desmesuradas, peço se o puxa já atado com corda e corrente com o tractor enquanto eu corto.

– É melhor é, que se elas caiem pra cima de ti e t’adregam a caçar as costas riscam-te todo!

Bom homem o Vitor. Homem de trabalho desde menino, sem prejudicar o semelhante em palavras ou acções, queixa-se que agora reformado sente falta do trabalho. Mais diz: que tem que andar ocupado, parte das vezes em trabalhos e bricolas que não lhe dão interesse (monetário) nenhum.

– É pá, farto-me prá’aí de tontejanar só pra nã tar queto!

«Tontejanar» ou «tont’janar» é palavra corriqueira por ali, fazer coisas tontas, sem propósito, que tanto se aplica a trabalhos esforçados como a folganças. Tal como o grito queixoso e melancólico das gaivotas de Oslo “kaaaaiii-kaaaiii-kaai-kaa-ka-ka-ka-ka” é som formoso, pelo menos na voz de gente boa, como  a daquele. Pena é que entre nós – com a mania nacional da correcção ortográfica, que mais mal provoca que bem – raramente se ache escrita. Mas também, entre nós, a palavra do povo, mais que a dos bichos, é coisa espúria, imprópria, desagradável.

 

 

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Em resumo

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(Fanado ao Grito e Argumento)

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Em missão espinhosa

Cumpridor, muito cumpridor, este vosso criado, também pra desenjoar de literatura, gastrónomos, enólogos, filólogos, comentadores desportivos, económicos, políticos, e vermina similar, agora que Costa e Capoulas demonstraram como se faz (em seis minutos e quarenta e sete segundos) (quem sabe, sabe) à semelhança dos seus maiores, lança-se à roça.

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Espinhosa questão,

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Nem admira de Costa & Capoulas a brevidade, e era bom o casaco. Ou como se diz por cá, «foge toino qu’o pai marra!». Antes a enrabar gatos que em pelejas de silva, tojo e espinheira braba…

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Só o Bjorn faz a festa. Paus e canas à fartazana, leva e traz, busca e corre. A dona, não tendo outra forma de chamar cão ao marido, diz dele (por ter olhos verdes como eu, seu dono) que «puxou ao papai». Parece também (como eu) ter vocação de marujo e nadador…

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Duas lagoas no pedaço e não hesita. Ladridos às rãs, nataçao da forte pra cá e pra lá.

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até que não está mau de todo…

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Levando a origem ao destino

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Dizem-no uma bela homenagem a Oslo, um fresco evocativo de gentes e ruas. Calha hoje no avião, forma de levantar ao destino o ponto de partida.

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