Keats

E escrevia eu ainda há pouco sobre um dia quase desperdiçado…

Chamaram-lhe um dia Montaigne. E ele agradeceu com a intenção (assim fosse viva certa anciã) de uma colcha bordada. Eu (ser insignificante sem pretensões a mais que isso) chamar-lhe-ia Keats.

N’alguma praça ajardinada e ampla – e fosse eu chamado a fazer a cidade do que se escreve em português – de uma frase deste post faria um monumento. Aquilo em letras merecia mármore ou bronze.

Chamar-lhe-ia Keats porque da arriscada tese poética dos primeiros versos do Endymion fez ali, com um olhar e meia dúzia de letras, uma mecânica celestial de Newton. Clara como um assobio. E que fique claro que não me estou a fazer a colcha nenhuma…

ide-vos ide-vos a Marvão, terra alta e alcantilada d’onde se bispa dorso d’águia e milhano, ler aquilo. Pousai naquela pousada. E o universo desenpecilhado – ainda que por segundos – de esteves-sem-metafísicas reconstituir-se-vos-á com Ideal e Esperança.

E meditai ao lembrar por muitos anos (como Borges numa busca de Averróis) que o tempo, o que corrompe as fortalezas, reforça as metáforas.

Sobre soliplass

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