Bacalhaus e bacalhoas plenos de vitalidade

Às vezes passo por aqui por este post desta espécime par lui même retratada acima, já de Dezembro último, e conservo-me por ali em contemplação. Porquê? Cá por coisas… o chefe diz-nos ou escreve “Foram três dias cheios em Genebra, a chefiar a delegação do Parlamento Europeu à Conferência ministerial da Organização Mundial do Comércio.” E deixa a coisa que chefiou a bold para que não nos esqueçamos do que chefiou… e para que não restem dúvidas, como podem ler no post, apresenta a foto abaixo na companhia (emocionante) da estrela política do momento. Por mim, olho para aquilo e vejo vulgaridade. É uma falta de educação (e no mínimo de cavalheirismo) apresentar uma foto destas para ilustrar um post daqueles, daquele teor… que nada nos diz a não ser da importância do chefe. Que, chefiando muita coisa, não se sabe chefiar a si próprio nos mais elementares princípios de boas-maneiras e de decência, não se apresentando em preparos daquele teor gestual ao lado de uma senhora.

Neste blog, quando ainda se por lá escreviam coisas interessantes, escreveu-se lá isto, já em 2008 – em termos blogosféricos, já lá vai uma eternidade – que é um dos melhores retratos da sociedade portuguesa do topo à base, se bem que os episódios que ali se retratam ocorram no topo dela. Citando dali, e da autoria de Pedro Arroja, um extracto deste texto de fina ironia e traço preciso que convido a ler na íntegra através do link acima:

Do not try to put a difficult, much less an embarassing question to a conferencist or to the government representative seating at the conference. This will be interpreted as lack of respect and the audience will look down on you as a troublemaker. That is why in the period reserved for questions there are usually no questions at all. Except, perhaps, from that one man – there is usually one of the kind at every conference – that rises from the audience to ask a question and ends up making a conference himself.
If the Portuguese do not attend conferences to discuss new ideas, why do they like conferences so much to the point that they have become a sort of national sport or entertainment? The answer is hand-shaking. The Portuguese like to be in company, specially of important people. They like to be seen close to power, which they take as a sign of their own importance. Shaking hands with important people, such as a minister or a secretary of state, is an asset as they might need some favour from them in the future. In this sense, most conferences in Portugal could well be called hand-shaking conferences or conferências do bacalhau, as they would say here with typical humour (bacalhau, which translates for codfish, is a popular expression for hand-shaking).
 

Por vezes passo por “ali” (pelo post do chefe) para me rir sózinho a pensar em bacalhaus, bacalhoas, e coisas similares a estas retratados por Arroja, pelos quais tanta gente anda de rojo…

Grande parte do nosso comentário político (bloga incluída) mais não faz também que uma espécie disto. Insinuar proximidade com os mentideros próximos aos detentores (formais e fictícios) do poder. Entre nós essa proximidade é prestigiante. Quando, a haver um pouco de “tento na pinha“, o que seria prestigiante seria precisamente o contrário; a distância.

* Adenda: há também este excelente retrato (da outra face da mesma moeda), do mundo de almoços e contactos.

Sobre soliplass

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