Crónica da primeira nuvem

Como saberão os leitores diz-se de um «nefelibata» que vive nas nuvens. Ou que é meio amalucado. As duas coisas me quadram. Serve isto para compartilhar a primeira nuvem em que entrei por meio de um medidor de pressão atmosférica a que chamamos «altivarius» ou variómetro, quatro quilos de pano e mais dois de cordel em que a gente anda pendurados. Na primeira foto (scanner dessas fotos velhas de há quinze anos) vê-se o Leste, na direcção da Guarda. Creio que a altitude máxima nesse dia foi de 2600 metros.

Na do lado, NW, terras de Folgosinho e Melo.


Aqui, já na descida, a Formosa vila de Linhares.

E aqui, em baixo, dentro do círculo branco aquele bravo UMM tão conhecido dos parapentistas da altura. Dentro do círculo vermelho a asa desse beirão fiel de bigode farfalhudo; o Vitor Baía, que ensinou tanta gente a voar. Foi também ele, que pacientemente e por instruções através do pequeno rádio, me levou à primeira nuvem, acertando o giro, instruindo sobre travar ou deixar a asa aproveitar a melhor taxa de planeio. Depois de estar na base das nuvens, deu-me a instrução de lá esperar aproveitando o ar ascendente, e descolou, para se juntar a mim. Aquele é o momento pouco depois da sua saída. Serve a crónica também para deixar um saudoso abraço a esse companheiro de tantas horas que não vejo há anos. Adeus ó pá!

Quem me dera ter tirado mais fotos na altura, ainda com aquelas câmaras de rolo, deste momento único, a primeira nuvem. Desses tempos de rapaz novo, afinal é isto que resta, fotos que vão sendo mais e mais antigas a cada dia que passa.

Sobre soliplass

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2 respostas a Crónica da primeira nuvem

  1. Oh pá, Nefelibata de botas cor de laranja! O que uma imagem nos sugere!, é bem verdade que valem mil, muitas mil palavras, tantas e tão novas, ainda por inventar, e outras já gastas, meias amolgadas, que em nada se parecem com o que o dicionário nos diz que devem ser.
    Acho fantástico que se vejam as botas, sola de borracha que conhece os musgos do chão mas que agora estão feitas nefelibateiras!
    Não preciso de dizer que me ardem os cotovelos de inveja. Já se sabe.

  2. soliplass diz:

    é… naquela vida tem que se levar botas, porque a verem-se as unhas dos pés ainda corremos o risco de ser confundidos com as águias. Isto é, segundo aquela famosa anedota dos dois pastores.

    Quanto à inveja, até eu a tenho daqueles dias e do convívio com a seita da religião dos cordéis e dos trapos voadores; gente saudável que por ali andava e abancava no café do Ti Mimoso, de saudosa memória.

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