Os totalitarismos da sarjeta e da sargenta

A azougada senhora sargenta cá dos esquadrões jornalísticos – que já tinha dado um Dryfus por geração espontânea à gesta lusitana – insurgiu-se certo dia (que já não lembra a ninguém) contra o totalitarismo jornaleiro e a sarjeta dele. Dois ou três pobres  parvajolas cujo principal cuidado são cabeças de gorazes (vide Camilo em O Cego de Landim) e a prestação do duas assoalhadas em Rio de Mouro, escarrapacharam-lhe num artigo do postigo matinal uns desabafamentos (que dos abafamentos a tanto não se atreveriam) entre a oxidada gramática e o alcandorado banqueiro.

Aqui d’El Rey porque chovem totalitarismos como pedraço das trovoadas mediáticas; e tudo por causa de meras folhas de gazeta, ousadas que foram (imagine-se) em não difamar de probos e leais os costumados melros que – por pouso em galhos mais subidos – se cuidaram resguardados da chocalhice. Assim se viram realçadas umas simplezas que de ordinário teriam caído nas engrenagens do bocejo. Que são a melhor reciclagem da banalidade. Ora o que discutiam banqueiro e gramática? Posições, tricas, miudezas: o esperado. Constituiriam notícia as conversas destes dois apóstolos da pobridade, isso sim, se se entregassem lá na tal conversa com denodo e idealismo a discutir o conceito de representação segundo Pitkin, ou o último paper de Miguel Poiares Maduro. Assim, aquilo que disseram ou deixaram de dizer é uma espécie de puzzle de Eulau, um não ter ideia para que servem as instituições de representação, como se previa. De bem comum, o principal tema da política, não achamos lá migalha que seja. E à outra, preocupou-a aquilo que se publicou, quando está na cara que o que a que a preocupava verdadeiramente era aquilo que se poderia ter lá publicado porque se tiveram acesso a estas irrelevâncias, talvez tivessem tido a matéria mais grossa e concreta. Vai daí, o totalitarismo…

Como já por aí escrevi, ainda estou registado como militante no Partido Socialista. E considero esta gente, mais àquilo a que se entrega, a roçar a noção do abjecto. Provoca-me, pessoalmente, nojo – à falta de melhor termo. Imagino o que provoca em outros que não têm a mesma ligação (ainda que uma ligação mais à sua “outra” tradição, que não esta) ao partido.

Se calhar (digo eu) quando a dita senhora enche o artigo em causa com o conceito de “totalitarismo” por causa de um jornal publicar o que é sabido e consabido, esperado e corriqueiro, talvez a devesse preocupar no totalitarismo as causas que a ele levaram, nomeadamente a desafectação partidária; coisa que novamente estes indivíduos a poder de repetição vêm provocando. O que foi escrito nesta página famosa e clássica de Annah Arendt, do clássico Origins da foto acima:

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