Tragédias obtidas do joeirar de ridicularias

Disse-nos o velho Camilo numa das novelas do minho (Maria Moisés) que a vida amorosa é cheia de ridicularias. E que se a gente (ele) não joeirasse dela as partes cómicas não arranjaria nunca uma tragédia. A política nacional padece da mesma maleita, e diligente joeira de ridicularias se precisa para que a gente veja a tragédia que é.

Este bom homem, por exemplo, traça aqui um retrato (com pena e verve que não fica atrás a Camilo) de um novo Calisto Elói de Silos e Benevides de Barbuda que está em vias de descer à Capital. E que, por falta de morgadio de Agra de Freimas e por desuso da heráldica, traz em sua substituição dois morgadios em universidades. De partir o côco! E veremos como cai o anjo, ou se lhe erguem fontanário…

Outro, não aceitando a secundarização face a alguém (carta reproduzida aqui) relembra ao partido os seus galões curriculares, e não aceita cargo de deputado. Era de crer que o cargo não tratava de secundarizações face a alguém, mas da priorização do bem público na representação do país. Em vão pregou Burke aos ignaros matutos da Bristol daquele tempo: não deixou escola, apesar de Sir João Carlos Espada e de outros esforçados intelectos dados a propagar liberalidades; ninguém deve já nem a industriosidade nem o julgamento ao país. O país deve-lhe, isso sim, a precedência. Tivesse tento na pinha, e escondia o currículo. A não ser que queira ficar na História Nacional a respeito de pinhais. Se D. Diniz plantou o de Leiria, secando pântanos e fixando areias, ele como ajudante do Rei Cavaco, ajudou a transplantar a todo o território nacional o da Azambuja tipificado por Garrett. Só que desta vez, criando o pântano fétido em que atolamos os dias e os cabedais, e a areia movediça onde se sumiu a decência.

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