O Vanity

Nas quixotescas andanças de Joseph Adrews – como as deixou escritas Henry Fielding -há aquele momento em que o pároco e o médico discutem e teimam sobre a forma de acusar o ladrão que escavacou e roubou o herói da novela numa estrada do reino. E pela vítima de quem, – convalescente numa estalagem, moído de pauladas e roubado até ao tutano – nem o médico nem o padre faziam coisa nenhuma a não ser que muito espicaçados. Mas teimavam sobre a forma de acusar o ladrão e fazer justiça, se bem que como nos conta Fielding “… nor had either of them ever been suspected of loving the public well enough to give them a sermon or a dose of phisic for nothing.” (Cap. XV). É então que Fielding escreve aquela famosa reflexão irónica sobre a vaidade.

Período pestilento entre nós é sempre este das campanhas eleitorais. Grasníferos doutores e ventrudos pavões castigam ouvidos e prelos. Faz-se da moleirinha do eleitor a alma dum cão sarnento deitada aos becos sem saída. Deitam-se culpas a ideologias, a elaboradíssimos sistemas sagrados e profanos, pouco se reconhecendo esta omnipresente, prosaica, e simples coisa:

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