Panteísmos

Acordava há uma semana atrás com esta visão da janela do hotel: balneáreo (nós diríamos praia) de Camboriú, na costa do Estado de Santa Catarina. Uma visão destas, ou doutras, é suficiente num minuto para carregar as baterias de boa disposição para duas semanas. Uma frase da minha mulher perante uma banda local classificando a música de «música de galpão» encantou-me, pela sonoridade daquilo e pelo significado de galpão. Na terça, antes de abandonar o Paraná, dediquei uns momentos a ver o florescer e arribar de uma pequena planta florida que viajou setecentos quilómetros até ao quintal onde a plantámos uma semana atrás. Ao sol da manhã ostentava todas as boas cores de pétalas, e um verde sadio. Três pássaros graúdos catavam bicharada na terra cavada por mim no quintal.

Comprado no dia anterior em Paris, na quinta, ao pequeno almoço em Oslo e sobre a mesa da esplanada ao sol este livro de Zweig que lia, no meio de uma zaragata ou bulha (mais uma série de arrufos que guerra impiedosa) da passarada local que faz das mesas e dos pratos de croissants e wienerbrød de habituées e turistas comedouro. Um refugiou-se mesmo nas costas da cadeira de uma rapariga, subindo-lhe depois ao ombro para ver de lá se podia voltar ao repasto sem ataque ou bicada de maior dos outros contendores. Fui vendo aquilo deliciado, ao cheiro de relva fresca do parque real em frente, e não resisti a contar as tropelias dos pequenos brutos por mail à minha mulher.

Tenho para mim que todas as grandes ideias e todas as grandes teorias não valem estas pequenas coisas. Se chamado de panteísta, aceito o apodo com todo o gosto. É talvez o mais justo. A classificação que de forma intuitiva aceitarei mais rápidamente.

Intuitivamente, e numa resposta rápida a uma pergunta sobre isso, diria que a coisa mais feia que vi na vida foi a Basílica de S. Pedro em Roma. Recordo a urgência em sair dali, e a faeldade desumana de tudo aquilo, vaidade e fome de poder talhadas em pedras ou garatujadas em estuques pintados. Só muito bem pago lá voltaria.

Sobre soliplass

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