Bericht aus hinaus Feindes Linien, ou o perigo de fuga em massa

Famoso, luzidio, e epigramático ex- professor de Relações Internacionais da FCSH, Medeiros Ferreira vem em artigo no seu blog intitulado Demita-se o Gunther, lembrar-nos (não fosse a gente esquecer-se que lhe ficamos em favores) do seu outro artigo (onde volta à carga) no Correio da Manhã. A gente agradece, que nos defenda a honra no Correio da Manhã. Ninguém duvida de que a nossa honra precisa de campeão que por ela peleje (seja em voltas à carga, em artigos, em editoriais, seja em em sair por aí matando cachorro a grito), mas calma lá com essa merda professor.

É que não apenas corre o sr. dr. risco de apoplexia de tanto carguear; as consequências para a Alemanha (que o comissário representa) e para a Europa podem ser imprevisíveis e um verdadeiro tsunami demográfico e social. Há o risco de matar metade da população de susto com os seus artigos: não só não se via nada assim de tão portentoso na cultura europeia desde a hipálage da Eneida Ibant obscuri sola, como o ribombar deles do interior ou da primeira página do Correio da manhã está em risco de provocar pânico e fuga massiva. É que os alemães passam a manhã a ler o Correio da dita em vez do Frankfurter e essa merda de buzinar que nem duas ambulâncias desgovernadas (parafasemos o grande Ubaldo) nas páginas daquilo ainda dá mau resultado.

Por motivos de profissão passo frequentemente em território alemão. Nunca vi a Alemanha assim. O pânico estampado nos olhos dos teutónicos e louros rostos, as ruas desertas, e tudo isto por medo de um outro artigo que lhes ataque o comissário símbolo (consequentemente todos eles) no Correio da Manhã.

É que já só se atreve a sair à rua da merkeliana jungen a timorata e inconsciente do perigo de artigos ribombantes, e mesmo assim (como os pinguins e as focas) só em zonas ribeirinhas para se deitarem rápidamente à água em caso de necessidade ou perigo de mais um estoiro articulado.

Todos lançam mão de qualquer que seja o meio disponível para a fuga, até velhos motociclos com side-car que não eram usados desde a última guerra pra fugir aos bolcheviques de Estaline.

Os supermercados estão vazios, só se avistando carrinhas de distribuição aí abandonadas. Ninguém se atreve já ao aprovisionamento de víveres.

Nas ruas, uma desolação. Só os bambinos inconscientes do perigo e de mui tenra idade, ou umas velhas amigas da jeropiga se sentam no exterior dos imbiss para tomar o seu snaps, dizendo, como os londrinos de antanho sob as bombas voadoras V2, que nenhum artigo vindo de jornal dos PIGS as assustará. Os carros foram abandonados ao deus-dará… uma porra, as pessoas só fotografadas de longe… só uma fumadora ocasional não pode passar sem os mata-ratos… uma merda de vício…

Há riscos de saúde pública e higiene, as lavandarias já fazem saldos a dois euros e meio, mesmo assim ninguém se arrisca por causa das cargas. Há relatos de roupa interior pejada de larvas, lêndeas, teias de aranha, piolho basto… uma porra e uma carga de trabalhos fedorentos.

Até uma pobre estátua, que não tem por onde fugir às cargas, se barricou de arame farpado à prova de artigo de gazeta. Porque aquilo é uma gazeta de peso, com a vermelha cor do sangue, com aquele exército de putedo nas páginas interiores… os nomes de guerra «a loucura de Odivelas» ou «a casada com marido ausente»… metem medo a qualquer povo…

Não há notícia desde as àrias de Wagner – e de uma soprano esgadelhada que aterrorizou Bremen – da Alemanha tão tomada de pavor. Não há apenas o risco de catástrofe humanitária como de conflito bélico. É que temos toda uma população em risco de fuga espavorida Polónia adentro a espezinhar nabos e beterrabas até aos Urais, e da última vez deu mau resultado. A gente sabe que a indignação patriótica é uma coisa tramada: esse malvado patriotismo sobre que nem os lexicógrafos se entendem e Johnson disse o primeiro dos refúgios e Abrose Bierce o último. Seja como lá como for, calma lá com essa merda professor. Por quem é, e pelas cadeiras do parlamento que lhe tiveram as enxúndias das nádegas por honra de firmamento e abóbada celeste.

Se os austríacos (esse povo tão pacífico que nos deu Kraus, a Sissi e o tiro-liro-ló do Edelweiss) ainda anda traumatizada com o gajo do bigodinho que começou a segunda trabuzana – e cachaporra grada – na Europa e no mundo, não queira agora que os dos Açores (onde até as vacas sorriem nos pastos) tenham um dos seus a causar a terceira. Páre lá com essa caldeirada de chocos professor, o comissário excedeu claramente o âmbito do que ia nos seus cahiers de doléances. Foi um mero caso de sobre-zelo. Nada de às cargas half a leages onwards, all in the valeys of death‘s que não temos mais tenyssons, só moitasflores e ainda sai a cavalaria morango-açucarada c’o caralho da mania (essa praga) gastronómico-telenovélica que prá’i anda.

E se calhar, o comissário até não disse muito mal… é que se se houvessem por penduradas há mais tempo certas bandeiras, bandeirolas, símbolos, e estandartes a meia-haste (ou de onde não chegassem com os pés ao chão) com boa nolha de correr pelo sítio da gravata… não era preciso andarmos agora com a Alemanha tão assustada. E se os gajos que arrastaram o cu pelo parlamento tivessem fiscalizado os governos em vez de andar a escrever artigalhos no maior bordel da Europa…

… mas a pedir isso – que era demais -, nem o comissário Gunther se atreveria. Digo eu. Ele há timoratos e audaciosos e atrevidos para tudo…

Sobre soliplass

email: friluftogvind@gmail.com
Esta entrada foi publicada em Uncategorized com as etiquetas , , . ligação permanente.

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão /  Alterar )

Google photo

Está a comentar usando a sua conta Google Terminar Sessão /  Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão /  Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão /  Alterar )

Connecting to %s