Margem de erro

Dia cinzento hoje, nevado e silencioso, macio. Estava a pular o pézinho para uma descida no ar frio a brincar com abetos em tangentes com a ponta da asa, tocar a neve com a luva e deixar como que nuvem de farinha depois do toque, a redemoinhar. Deslizar montanhas abaixo, seguindo-lhes os contornos, quase em silêncio, apenas o silvo ténue da suspentagem. Beber café aguado depois nos cafés-restaurantes (Kro) de beira de estrada, comer waflers com rømme e compota de amoras. Andar por caminhos mal limpos de neve até alcançar a cabana emprestada por um colega. Deixar crepitar a lenha de bétula e embrulhado numa manta ficar no alpendre noite dentro a escutar o silêncio da floresta. Longo, pacífico.

O gosto era tanto que qualquer sítio servia, mesmo aqueles desaconselháveis onde não havia margem de erro. Era por vezes o caso em Frya no Gudbrandsdal, de uma rampa para asa delta. Ou se acertava a descolagem depois de passar com a asa já inflada por entre dois abetos, ou era trambolhão certo. Toda uma trabalheira em busca de um nada branco que deixa saudades. Especialmente em dias assim.

Sobre soliplass

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