Um belo naco de prosa

Moita Flores no seu blog (Projéctil), relatando das suas actividades públicas e privadas:

“Parto no voo da noite para Luanda numa viagem á desfilada. Uma noite no avião, fazer a conferência, dormir e regressar na noite seguinte. Duas noites sem dormir em três dias. Vi pouco mas aquilo que vi, impressionou-me. Uma cidade que desperta, pujante, ruidosa, que se ergue da ruína e lentamente, mas com força, regressa a quotidianos de prosperidade. Saíu de uma guerra terrível há pouco mais de uma década e reconstrói-se, grandiosa e próspera. Parece uma enorme estaleiro. Obras gigantescas, sobretudo aquela que está a modificar a mobilidade da baixa e acesso ao porto e percebi como eram injustas as críticas a Miguel Relvas. Ele teve a percepção de uma das maiores evidências que se metem olhos dentros quando cruzamos as avenidas e ruas: a maior parte das empresas que reconstrói Luanda, são portuguesas. Milhares de operários, seguramente centenas de empresas subsidiárias ás grandes construtoras, também assegurando empregos a milhares, uma escora bem firme para resistir á crise europeia e nacional. Miguel Relvas percebeu aquilo que a retórica política mais apreciada, na ânsia de maldizer, ignorou. Angola é um dos cantos do mundo que melhor ajuda o País exaurido em que labutamos. Tratar bem quem nos ajuda é um acto de política pragmática sem escolhos.”

Dá gosto pagar o IMI a uma autarquia capitaneada por gente assim. Mais, é um exemplo pessoal, o que colho em tão belos nacos de prosa. Às vezes, um dia por outro, também gostava de ser assim, escritor. Em vez de passar horas e horas em frente de uma bancada a fazer bifes tártaros. Luvas sujas de sangue e tal…

* … vagamente relacionado, um post antigo cá de casa: Os deuses chineses no tecto de uma igreja viking.

Sobre soliplass

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8 respostas a Um belo naco de prosa

  1. Em cada frase, uma lição. Quem me dera escrever assim.

  2. «Às vezes, um dia por outro, também gostava de ser assim, escritor. Em vez de passar horas e horas em frente de uma bancada a fazer bifes tártaros. Luvas sujas de sangue e tal…»

    Isto sim, é um belo naco de prosa — e, apesar do sangue, uma lição de ironia subtil. 🙂

  3. soliplass diz:

    Causa inveja não é? Creio que nem é so a si que quem lhe dera… até hamiltons e montesquieus, burkes e isaiahs berlins se envergonhariam de não terem conseguido passar a mensagem de forma tão magistral. Mas vamos aprendendo compadre, vamos aprendendo.

  4. soliplass diz:

    Desculpe-me a foto ensanguentada caro amigo. Coisas da minha profissão, era o que havia. Felizmente existem as luvas ou ninguém aguentaria a carnificice e o magarefismo.

  5. Eu ironizava, evidentemente. «luvas sujas sangue e tal…» é o cerne da subtil ironia… 🙂

  6. soliplass diz:

    Bem percebi. Estava só a fazer que sacudia a água do capote… LOL

    Os tempos vão assanhados, não me caia aqui algum destes papagaios lavadeiros vociferando alíneas de economia e finanças ou máximas de Gizot.

  7. Meu caro soliplass… a tua escrita é preta e branca, mas nunca é cinzenta. em simultâneo é encarnada sangue, da cor da vida viva. Sorrio-te.

  8. soliplass diz:

    E os bifes tártaros? que beleza, trabalho artesanal…

    A escrita é fácil, é só dar uns piparotes nas teclas. Vendê-la a bom preço, nisso sim está o busilis da questoa!

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