Estados de alma

Estremunhado de fusos horários, e da biografia de Tiago Veiga (trabalho colossal de Mário Cláudio) que quero continuar a ler, acordo a meio da noite.  Três da madrugada. No msn vou rindo com o relato do dia do artista do outro lado do mundo, que, segundo o relato, «aprontou, que nossa!…»

Início da madrugada, neva uma neve perene, em grandes farrapos, que não subsitirá. Aproveito o passeio na madrugada para matar a saudade deste exército pára-quedista que invade países para os pacificar. Na montra de um alfarrabista, um outro que teve estados d’alma, e que, para mais ter, mais outros inventou. Um rosto conhecido, o título, Uroens Bok «livro do desassosego».

A notícia lida sobre um outro que teve estados d’alma no DN, Raoul Wallenberg, e sobre a sua sorte que o Estado Sueco busca agora desvendar, leva-me a notar o rosto de Ruth Maier na capa dos seus diários editados por Vold, e a relembrar os seus últimos meses de vida. Muito perto daqui, numa outra rua onde morava em 42, recusou (tudo o indica) escapar à sorte dos seus iguais, e com eles seguiu no navio alemão Donau rumo às câmaras e aos fornos crematórios.

No mesmo dia em que o DN noticia o aplauso a Sócrates nas jornadas do PS, lembro-me, ao ver isto, de uma biografia vista num aeroporto brasileiro ao retornar de Buenos Aires – a de Aristides de Sousa Mendes. Tão raras por aí as biografias de portugueses. Veio-me à memória, nessa altura, um post certeiro pelo Carlos Azevedo (escrito havia quase dois anos) sobre “estados de alma” a propósito de uma desobediência de Carrilho*. Carrilho, que, emerge do socratismo quase como a ùnica voz que se aproveita, ao arepio do tempo e da obediência.

 * a um futuro desempregado, entretanto mesericordiosamente acolhido por associação filantrópica das  que  sempre vão acolhendo uns órfãos da coisa pública.

Sobre soliplass

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5 respostas a Estados de alma

  1. Obrigado pela referência, Soliplass.
    Sabe, eu não morria de amores por Carrilho — porventura, mais por embirração com aquela vaidade despudorada e com um certo feitio vingativo do que por outra coisa qualquer –, mas cada vez mais aprecio pessoas assim; que é como quem diz: estou cada vez mais farto — porque cada vez encontro mais pela frente — de lobos com pele de cordeiro.

  2. Panurgo diz:

    Peço desculpa pela intromissão, mas, Carlos, o turbodoutor Carrilho é desses lobos… ui, se é…

  3. Panurgo, não vislumbro em Carrilho qualquer pele de cordeiro — e olhe que eu até tendo a ser crédulo… Mas, independentemente de qualquer consideração minha ou sua, neste episódioo senhor esteve muito bem, melhor do que a maioria dos paus-mandados que abundam seria capaz.

  4. Panurgo diz:

    Naa… consegue-se sempre fazer um brilharete à custa da judiaria e dos palestinos; é só escolher o lado e dar espectáculo. E, parecendo que não, facilita e muito levar uma vida luxuosa em Paris – um convite irrecusável, não é verdade? Pois…

  5. Pois, talvez tenha razão, mas eu não vejo a situação assim. Neste caso, prefiro realçar que há quem nem da coragem do brilharete fosse capaz — como o dia-a-dia da política lusa nos mostra à saciedade.

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