Retratos instantâneos

Foto: no interior da Casa Rosada

Como trabalhador-estudante e já batidérrimo p’la putadavida frequentei a licenciatura de Ciência Política mais conceituada da época (a divergir do relvas – FCSH, média de entrada 17 valores) e mestrados dos mais conceituados na praça: ICS e SACSJP. Daí trouxe o pouco respeito à generalidade dos politólogos docentes. Não por aquilo sobre que se pronunciam cientificamente mas pelo que “cientificamente” omitem e evitam pronunciar-se.

Houve excepções é claro. De gente preocupada, simultâneamente bons cientistas e cidadãos conscientes. Um desses homens, de quem guardo até hoje a melhor das opiniões, deu-me numa pergunta um inesquecível instantâneo do país, de um modo de vida – das instituições. Preocupado com a executabilidade da dissertação, preocupado comigo e no seu papel de conselheiro, quando o informei do objecto de estudo, dos dados com que iria trabalhar (inicativas parlamentares em cinco legislaturas), imediatamente perguntou:

– Mas você tem alguém conhecido lá no Parlamento?

Omiti que conhecia, que declinei a oferta de ajudas e favores, que iria trabalhar com dados on-line. Mas ficou aquela pergunta. Mais que uma pergunta: um retrato instantâno.

Sobre soliplass

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8 respostas a Retratos instantâneos

  1. Panurgo diz:

    Tenho um ainda melhor, embora não fotografado por mim. Uma amiga minha (que até casou a semana passada, Deus a guarde), aluna de excelência do curso de Direito da Universidade Católica, média altíssima, bolsas de mérito, prémios, enfim… cheia de esperança dirigiu-se para uma entrevista num grande escritório de advocacia de Lisboa (aquele cujo nome rima com peida). A oferta era o estágio, mas uma aluna com aquela rara capacidade não teria grandes problemas. Pois que tal não foi o espanto quando a primeira pergunta que lhe fizeram lá na peida foi tão somente esta:

    – O seu pai tem negócios em Angola?

    E ouvindo que não, insistiu a entrevistadora: – Alguém da sua família tem negócios em Angola?

    (tenho outros, mas desses não posso falar, que sou como Adão, gosto de dar nomes às bestas…)

  2. soliplass diz:

    Típico, filmes mil vezes repetidos que a gente foi vendo pela vida fora em diferentes cenários e com diversas personagens. E em cenário de crise, a piorar. Se Lavoiser cá voltasse e visitasse a vida social do rectângulo talvez o aforismo fosse « Dans la nature rien ne se crée, rien ne se perd, tout s’échange.»

  3. Panurgo diz:

    Palavra. Eu só vi disto em Portugal; aliás eu estou convencido que a nossa pátria até hoje só pariu génios; são todos grandes artistas, grandes pensadores – fundamentais -, “gandas jestores”, arquitectos, eu sei lá. E desde que aprenderam a dizer meia dúzia de parvoíces em inglês, ninguém os agarra. Esse cenário de crise vi eu a ser montado; e também vi a garrafinha de Moêt Chandon ser aberta no Sheraton depois de um despedimento colectivo. E vi um gajo que, entre outros momentos inesquecíveis, não se apercebeu de que faltavam as páginas ímpares na fotocópia de um contrato ser premiado com um lindo carro alemão. E por aí afora. O problema é eu estar convencido de que aqui só há gente desta.

  4. António Bettencourt diz:

    Quando vi a fotografia, pensem que fossem os turistas em Versailles a fotografar os horrores da Joana Vasconcelos. Só depois vi a legenda.

  5. António Bettencourt diz:

    *pensei

  6. soliplass diz:

    Isso parece coisa célebre. Só passarei por Versailles em meados de Setembro será que ainda vou a tempo de ver a badalada coisa?

  7. António Bettencourt diz:

    A coisa vai lá estar até 30 de Setembro. Mas o lustre de tampões foi proibido. Se calhar fazia-lhes lembrar a guilhotina.

  8. soliplass diz:

    Tinha ouvido falar na coisa mas nunca tinha ligado muito ao assunto. Agora aguça-me a curiosidade. E como passarei por Paris uns dias no final de Setembro… acho que passarei por lá a ver esses portentos.

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