Complots

Assarapantado de trabalho nem tive tempo ontem de passar pelo momento alto crónico-hebdomadário no DN. Através do Provas de Contacto lá fui dar (já hoje) com a pérola de César das Neves, que – como sempre – é imperdível.

César das Neves dixit dos académicos uns embusteiros inimigos da religião e da liberdade, e intitula o escrito A grande fraudeLá teremos de deitar fora ou colocar aferrolhada no index uma das obras seminais da Ciência Política. Repare-se no gráfico que Robert Putnam colocou no seu Making Democracy Work analizando a correlação entre o clericalismo e a comunidade cívica para as diferentes regiões de Itália.

Esperemos que na Católica ao lado da obrigação de andar de gravata em certos espaços não passe a ser também proibido ser visto um estudante com uma obra de Putnam debaixo do braço. Ou quiçá, insultado de “seu académico duma figa” – “seu filho de uma putnamiana!”, etc… se apanhado em flagrante putnamismo. Valha-nos nisso sir Espada.

Sobre soliplass

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4 respostas a Complots

  1. «Voltaire e Gibbon, como hoje Richard Dawkins ou Peter Berger, são um perigo para a liberdade maior que Napoleão, Hitler ou Mugabe.»

    Nem lendo um gajo acredita que alguém seja capaz de escrever tais despautérios.

  2. Panurgo diz:

    Fui ler. Não compreendo. Qual despautério? Quanto muito há aí nesse parágrafo uma ligeira imprecisão: é que o atrofio mental do rebanho já não é feito pela filosofia e arriscaria que até já nem pela biologia: é-o pela publicidade. Bem mais eficaz.

    De resto, não estou a ver o que é que há lá de falso, ou de indemonstrável. O Renascimento e o Iluminismo são, de modo diverso, duas fraudes. Começam logo no nome. Mas isto, quer dizer, tem quase cem anos, não é novidade nenhuma.

    Antes o nosso César, que sempre dá para rir de vez em quando, do que o Putnam. Cruzes credo, o Putnam.

  3. soliplass diz:

    E no entanto tem a sua lógica: provávelmente foi por Hitler ter sido um perigo menor para a liberdade que o vaticano serviu de canal para fazer escapar os seus esbirros para o quentinho sul-americano depois da vitória dos aliados. Deve ter sido para manter a salvo uma espécie de “reservas da liberdade”. Tudo tem a sua lógica.

  4. soliplass diz:

    O César dá para rir e muito amigo Panurgo. Lá sobre presépios e religiões pronuncia-se. E também sobre a necessidade de acabar com salários mínimos. Sobre isto, por exemplo (http://www.tsf.pt/PaginaInicial/Economia/Interior.aspx?content_id=2868139&page=-1) ou coisas do género, é que é mais difícil apanhar-lhe opinião. De igual modo, e já que é tanto pelo cristianismo, imagina-o você a aconselhar o amigo catorga dos pentelhos a renunciar ao salário chino e ateísta? Ou ao seu círculo de amizades que retirem os investimentos nos territórios dos incréus (Bangladesh, Vietnam, China, etc. e venham aplicá-los em território da cristandade? Isto é, em que não vigore amnistiosa lei do off-shore?

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