Blogs de fazer inveja

Coloquei ali ao lado um link para um blog que lia ontem deliciado pela primeira vez: o Culturas no Campo. Um blog de aprender e surpreender, do qual fico grato cliente. Num país de doutores falidos, de andar escarranchado em trabalho alheio – no mais das vezes com afiada espora de desprezo e altaneirice -, num país de peneiras e caganças, passar por um blog assim é higiénico passeio. Digo eu… Parabéns ao autor pelo belíssimo trabalho.

Por exemplo: sabe o que é um capão?

Ou, bacalhau das paredes?

Sobre soliplass

email: friluftogvind@gmail.com
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6 respostas a Blogs de fazer inveja

  1. Adorava colher azedas e comê-las, assim mesmo, sem azeite nem cebola… Há uma palavra popular engraçada, que agora não estou a conseguir recordar… Quanto ao capão, já fiz alguns, mas desconhecia esse nome. Sempre lhes chamei simplesmente «molho de vides»…

  2. soliplass diz:

    Nunca as provei. Não é (ou passaram-me despercebidas) muito comum o seu uso na zona de onde venho. De facto, por “azedas” eram conhecidas outras plantas (normalmente de terrenos pobres, arenosos) que eram mencionadas num estribilho incluso numa história:

    Eram dois irmãos: e um deles ao fazerem as partilhas, mais simplório que o outro, era induzido em erro pelo constante repetir do estribilho por parte do mais manhoso e ganancioso: “terras de azedas pra elas me chego, terras de mantrasto delas me afasto.”

    Isto na realidade funcionava ao contrário: as terras onde as azedas prosperam são pobres, e as onde o mantrasto se dá, mais férteis. E assim me explicava o meu avô…

    Quanto aos molhos de vides: aludiam os antigos que havia gente mais pobre que por vezes no pico do inverno (altura da poda) e por não terem outra coisa, as deitavam de comer aos burros.

    Não sei se vem daí a forma de descrever um animal magro (com as costelas vincadas) que “dorme em cama de vides”.

    É pá, isto a gente desgraça-se, face a essa blogosfera culta e fina, a discutir assuntos deste teor e não uma teoria da justiça de John Rawls, ou o último aforismo da Teresa Guilherme! Damos com a reputação na lama, ou com os burros na água… LOL.

    Abç.

  3. Ainda não me lembrei do nome popular que chamam às azedas lá na minha aldeia. Mas lembrei-me do nome da minha erva preferida: meruges. O que eu também comia muito, assim a colher das paredes, mas apenas quando ainda estava tenrinha, era a hera.

  4. soliplass diz:

    Meruges também não sabia o que era. Só lá fui agora pelo Callitriche stagnalis, depois de ver as imagens. Nem sabia que era comestível.

    Mas também isto das plantas e árvores variam muito de nome de sítio para sítio. O caso do ulmeiro, muitas vezes dito “urmeiro” em linguarejar local – mosqueiro (alentejo) – negrilho (norte) – lamegueiro…

  5. Tens que provar meruges! Até me cresce água na boca só de pensar. Dá-se em lugares com muita água (corrente), aí por meados de Março. São é difíceis de apanhar/separar das outras ervas…

  6. soliplass diz:

    até provava, se as apanhasse a jeito. Vou ver numa passagem próxima por Portugal se vejo disso em algum lado. Agora aì na Suíça é perigoso crescer àgua na boca que depressa congela…

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