Prenda e desembrulhos

Quem quer que seja o Baptista que nunca vi mais gordo, pos vistos lá nos trouxe ao sapatinho excelente prenda natalícia. Desembrulhada a “prenda” de arrulhos com que embrulhou os media (até o doctor epigrammaticus et subtilissimus do Cabo Submarino), ficam, excelentes de fazer rir e sorrir, os comentários: no Malomil, de António Araùjo –Meditação sobre Baptista :

[…] Deu-nos o ouro que mirra, aspergiu-nos de incenso radioeléctrico. Esta do Baptista foi a melhor prenda de Natal que poderíamos ter recebido. Trouxe aos lares nacionais a alegria e, com ela, a paz. Será Artur um Arcanjo enviado de Nova Iorque? À sua conta já muitos de nós riram muito. Isso não é uma bênção, nos tempos austeros que correm? Fez-nos melhor Baptista do que 99% dos artistas baptistas que vão às televisões dizerem coisas exactamente iguais, ou piores, às que Baptista disse. Baptista não feriu nem agrediu ninguém. Não deu alfinetadas nem deixou recados. Não tinha uma «agenda» escondida. Convidaram-no, certo? Pois Baptista, sendo educado e cortês, aceitou o repto mediático. Passou pela sala da maquilhadora, entrou num estúdio iluminado e, perante quatro adultos crédulos, expôs os seus pontos de vista. Explanou Baptista, para isso o convocaram. Opinou vastamente, em voz pausada. Com gravitas no verbo informado e prudente. É tudo muito, muito bom. O modo como conseguiu enganar tanta gente – que, ela sim, deveria pedir desculpas aos povos desta Judeia – constitui uma lição magistral. Baptista honoris causa! Quando há tanto ruído de tantas opiniões, tanto artista baptista de variedades e banalidades, o cidadão Artur Baptista da Silva também lá quis fazer ouvir a sua voz, partilhá-la com os portugueses. Parece uma conspiração dos deuses, mas Baptista da Silva, sem se aperceber disso, mostrou como qualquer um pode dizer o que quer que seja. Basta ter um título. […]

Ainda no Ericeira Norte, magistral, sob o título de Baptista da Selva, onde se evoca também “o Jean Baptista da Silva, catedrático francês que pôs meia Europa a sangrar dos cascos e não era da ONU“.

E o de João Palma-Ferreira, que sendo já morto e saudoso, o deixara por precaução (em caso de ocorrerem acidentes deste cariz – “na conformidade da triste vulgata de que nos vestimos”) nas Páginas do D. Gibão (p.171)

D. Gibão 002

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