Tolerância académica

Você, caro leitor, descobriu e apresentou provas irrefutáveis de que era o gato de Ferdinand Céline que, ora lhe ditava os textos, ora lhos corrigia à unhada. Há cerca de um mês, ainda antes de ter publicado extenso artigo na Magasine Littéraire onde defendeu que Camus era um escritor muito mais genial que Céline e através do qual se tornou conhecido do grande público fracófono, a Universidade de Tel-Aviv convidou-o para expôr os seus pontos de vista sobre o assunto em conferência aberta ao público e à comunidade académica.

Aceite o convite, já em solo israelita, a imprensa parisiense publica fotos suas numa festa privada, bebedíssimo e vestido de oficial das SS. Relatava-se até que – com o pingalim que lhe tornava o uniforme mais credível – teria desferido duas chibatadas numa das empregadas da empresa de catering que serviu a festa enquanto ia gritando entre gargalhadas “Los, mensch” e “Arbeit macht frei” para gáudio dos outros convivas.

Não chegou sequer a entrar na sala de conferência em Tel-Aviv tal foi a chuva de apupos e insultos, objectos e frutas podres que lhe desabou em cima. Como a malta anda deprimida e com necessidade de rir, venha agora – você ou os seus admiradores – escrever para os blogs que os israelitas em matéria de literatura são uns intolerantões e não reconhecem nem aceitam o direito à livre opinião.

Sobre soliplass

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