Religiosidade e ateísmo

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Voltando hoje à Livraria do Chain, decidiu o simpático livreiro convidar-me para um café no bar da universidade em frente, e, de conversa em conversa, deu a coisa em religião. Que é assunto, assim o avisei, em que sou pouco informado. E em que quero ser leigo, quanto mais não fora por ter aturado a cadeira de Sociologia das Religiões a Moisés Espírito Santo durante um malfadado semestre. Presenteou-me com uma pergunta fabulosa: se tivesse de escolher o que preferia em casa: a Bíblia ou os Lusíadas? «Os Lusíadas, obviamente.» Qualquer página dos Lusíadas: quatro simples versos já fazem sentido…

Ser ateu ou religioso, parece-me questão tão supérflua como tempo gasto a engraxar sapatos. Ou a tentar rodar um parafuso de fenda armado com uma simples folha de macieira. O problema da existência de Deus, afigura-se-me como o reparar um motor de um carro moderno: não tenho nem os planos nem a ferramenta necessária para mexer naquilo. E aqui aparece a parte mais bicuda do problema: tenho que confiar nos especialistas de Deus; nos que conhecem o plano divino e as suas particularidades.

Talvez por azar meu, nunca conheci um a quem, em são juízo, se confiasse um simples livro de cheques ou um cartão de crédito. Como confiar-lhes essa coisa tão importante que é o modo como devo viver? ou como ocupar o meu tempo? ou a salvação da alma se a tiver?

Sobre soliplass

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2 respostas a Religiosidade e ateísmo

  1. Nilson De Simas diz:

    Perfeito. Homens maníacos por dominação, tentando subjugar outros homens, em nome de algum ser imaginário, onde meia dúzia deles, vivem nababescas vidas bem terrenas, sem nunca precisar produzir um prego.

    Eu não preciso de crer, o que preciso é de saber. Não me dou bem com homens iguais a mim, me intimidando e ameaçando com o fogo do inferno.

    Parabéns pelo texto.

  2. soliplass diz:

    É como diz. A mim parece-me que não há nada de especial na religião: é apenas uma das muitas formas que foram inventadas ao longo da História de alguns viverem à custa dos outros sem trabalhar. Não vale a pena complicar muito o que é simples.

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