Viagem

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O viajante entrou pelo rés-do-chão, sai pela escadaria do primeiro andar, que faz por descer o mais episcopalmente possível. E agora, sim, vai ao jardim passear. Em Monsanto vive o povo das pedras, aqui é uma galeria de ilustradas figuras, angélicas, apostólicas, reais, simbólicas, mas todas familiares, ao alcance da mão, na franja dos buxos aparados. Não sabe o viajante se no mundo existe outro jardim assim.”

Comparado num sebo por tuta-e-meia, tento meter os olhos a isto, ainda que por trechos breves. Tentativa inútil, como em muitos outros do autor. Parece-me mais uma viagem a um estômago que por desjejum tivesse tido duas mamadeiras de leite azedado em complemento de uma arroba de limões. Não vai o  volume em viagem ao lixo por respeito ao editor.

Sobre soliplass

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10 respostas a Viagem

  1. Lê o «Ensaio Sobre a Cegueira» (não sei se já leste?). Mesmo que todos os outros fiquem por ler… o «Ensaio Sobre a Cegueira» é uma das obras maiores da Literatura (na minha laica opinião)…

    O «Viagem a Portugal» foi encomendado. Verdadeiramente, permitiu ao Saramago desjejuar…

    Abraço.

  2. António Bettencourt diz:

    Acredito que o dito Ensaio seja muito bom. Afinal quem melhor que Saramago poderia falar sobre a cegueira? Sempre foi um especialista no assunto.

  3. Eu gosto deste livro do Saramago. Em todo o caso, não chega aos calcanhares de obras primas como Memorial do Convento ou A Viagem do Elefante.

  4. soliplass diz:

    Sim, li esse e também o sobre a lucidez. Fico contente por os outros o gostarem de ler. Eu é que após meia dúzia de páginas não consigo evitar a irritação que a escrita dele me provoca. Não é pelos temas, nem pela trama. É o liguarejar. Lembra-me sempre aqueles tipos nas tabernas que passam a vida a “remorder” e a falar de lado… sem fala directa.

    Defeito meu, provavelmente.

  5. soliplass diz:

    Bom, ainda bem que a alguns aproveita. Guardei boa impressão do Memorial, mas o último (a Viagem) novamente o li com desagrado. Como disse ao André, defeito meu, talvez. Por outro lado, o homem não tinha obrigação nenhuma de andar a escrever coisas a meu gosto.

  6. heheheheh «o homem não tinha obrigação nenhuma de andar a escrever coisas a meu gosto.» o que eu me ri ao ler isto! Além do Ensaio Sobre a Cegueira, gosto muito do «As Intermitências da Morte», e do «Evangelho Segundo Jesus Cristo». O «Ensaio sobre a Lucidez» para mim é dos piores que ele escreveu. E o «Caim» é engraçado.

  7. Saramago, escritor, não era nada cego. Saramago, o homem e cidadão, tê-lo-á sido muitas vezes. Longe de ser caso único na Literatura…

  8. Ora essa, não é defeito nenhum. Cada qual com os seus gostos — tão simples quanto isto.

  9. Um leitor que não idolatra José Saramago! Milagre.
    (A mim, também é a voz que afasta; os temas cativam pouco, não supreendem…)

  10. Bem, convém clarificar que gostar de alguns livros de um escritor ou até mesmo da sua obra toda é coisa diversa, muito diversa, de o idolatrar. Aliás, até mesmo gostar muito de um escritor é coisa bem diversa de o idolatrar. Digo eu.

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