Ler os outros (com cavalos)

“Nesta estrada cheia de curvas, a passar por tudo quanto é terreola com semáforos a sangrarem assim que passamos um quilómetro da velocidade limite? Não acredito nisto.
Resignada, carrego no acelerador, até ao momento em que a estrada se parte ao meio, sem placas nem para a esquerda nem para a direita. E agora? Escolho a esquerda. Cem metros mais à frente, uma paragem de camionetas, um homem sentado esperava uma viatura com cinquenta lugares para a qual achava que era preciso pagar bilhete. Engano dele. Pergunto o caminho, ele levanta-se, aproxima-se, responde, garante ter a certeza, sabe bem, ele é de lá, vai para lá assim que chegue a camioneta. Então venha comigo, digo eu. Não, minha senhora, baixa o olhar, eu trabalho com cavalos, cheiro mal, cheiro muito mal. Com cavalos? Ó homem, é melhor trabalhar com cavalos que com pessoas, vamos embora, então com licença, entra ele, aceitando. Conversa franca, foi uma pena quando acabou, chegou ele a casa, eu ainda tinha muito pó a comer.”

No Areia às Ondas.

Sobre soliplass

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Uma resposta a Ler os outros (com cavalos)

  1. Muito, muito belo.

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