Pós

Não gosto de ser grosseiro ou mal-criado mas já a paciência esgota pra certas coisas. Domingo, indo por comprar umas verduras, peditório à entrada do supermercado. E à bicha, conhecida de anos e de ginjeira mas agora armada em «dar aos pobrezinhos», à proposta de contribuição, perguntei se me poderia garantir que não iam os víveres para nenhum dos eleitores de Cavaco.

– Ah isso não posso, não sou eu que decido.

– Então vá pedir à porta dele ou da Jonet. Pó caralho!

– Bruto! Ordinário! – e ficou a apontar-me a dedo à colega enquanto me afastava.

Deixá-lo ser. É que nem vale a pena mais renhonhonhons, que nas próximas eleições volta ao mesmo. Nem pó-de-arroz, nem pó-de-talco. Pó caralho, curto e grosso. Se à rotunda ali a cinquenta metros já lhe conheci cinco ou seis versões e nenhuma foi de horta, se os mesmos se candidatam e são eleitos, a fome pode ser muita mas ainda não é suficiente.

Sobre soliplass

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7 respostas a Pós

  1. Eu até posso ser ingénuo, mas contribuí. Sei que há quem dependa dos bens recolhidos e, só por isso, pelo menos para mim, vale a pena. Só tenho que fazer um esforço para esquecer que é a Jonet que está à frente do BA.

  2. Isto é terrível, não entenderem que aquilo que se está a alimentar é o ego das Jonettes e afins.
    Obviamente, estou consigo. Sem ser rica, já ajudei com alimentos gente próxima, dispensando intermediários necessitados.

  3. Alexandra G., terrível mesmo é haver gente a passar fome; o ego da Jonet é o menos.

  4. O ego da Jonet é em tudo igual ao do Gaspar & Outros Magos, que constroem carreiras alicerçadas no “espírito de missão”. Há nisto tudo um erro crasso que radica na “nossa” boa mãozinha, a que “dá”, porque ainda é mais fácil entregar às Jonettes desta vida do que envolvermo-nos directamente nas coisas e com as pessoas.

    Não quero ofendê-lo, Carlos, mas isto de arranjarmos representantes só nos tem trazido chatices. A todos.

  5. Não ofende, Alexandra. Isso só sucederia se eu personalizasse o que me diz, o que não é o caso, pois a Alexandra não me conhece e não sabe se me envolvo, como me envolvo, etc. e tal.
    Em todo o caso, do meu ponto de vista, são intervenções complementares. Não creio que as acções individuais substituam uma organização em rede, com todas as vantagens que isso traz em termos de eficácia. Se o BA, concretamente, funciona bem ou mal, é outra questão (que pode e deve ser discutida).

  6. Areia às Ondas diz:

    Eu contribui e estive como voluntária num supermercado. Cada um sabe de si e eu sei de mim 🙂

  7. soliplass diz:

    Pois, se te lá tenho encontrado a ti, que tens uma vida inteira de generosidade, a conversa tinha sido outra e a dádiva mais que certa. Mas para com gente cujo percurso de vida tem sido subtrair a paciência é menos.

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