Estilos de vida e de morte

No centro da cidadezinha nos subúrbios de Curitiba, o cemitério. Muros altos, guarda à porta. E à passagem pelo portão, o relance à galeria de horrores da arquitectura e estatuária fúnebre da cultura católica-latina. Pelo menos, nas zonas do interior, a pobreza das gentes livra os seus mortos da faeldade da última morada que o dinheiro parece proporcionar nas zonas mais afluentes. Os cemitérios latinos, odes ao mau-gosto, parecem concebidos de propósito para que não se esqueça na morte a forma feia de viver. E desigual.

Relembro a tela de Erik Werenskiold, presentemente exibida no museu nacional em Oslo, «Um enterro de camponês» –  «En bondebegravelse» (1883-1885) – feito a partir de esboços desenhados na região de Vågå, e os cemitérios nórdicos. Modestos, igualitários, verdes, de uma paz serena. Onde a ostentação das famílias é rara ou desconhecida.

 Aos nórdicos, muito se lhes inveja o estilo de vida. Nesta área geográfica que o quadro retrata e que serve de fundo à cena fúnebre, quantas vezes, a caminho ou de regresso de um dos meus dias de voo livre, me sentei a contemplar os cemitérios que rodeiam a igreja de Vågå  ou de Lom. A invejar-lhes também o estilo de morte.

Sobre soliplass

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