Ler os outros

Uma delícia a série pequenas estórias de Jaime Bulhosa, no blog da Pó dos Livros.

Sobre macacos e livros (aqui):

Cliente: Você sabe aquilo que dizem os matemáticos e cientistas de que se dermos a cem macacos uma máquina de escrever, mais cedo ou mais tarde, eles escreverão uma grande obra?

Livreiro: Sim…

Cliente: Bem, tem algum desses livros escritos por macacos?

Livreiro: Claro! Desses livros é o que mais se edita hoje em dia!

Ou, ainda, da primatologia no Estado Novo, (aqui)

[…] Curiosamente estes tempos parecem querer estar a voltar (agora por motivos económicos) aos dias do velho livreiro, já falecido, que me contava a história de como antigamente, não há tantos anos assim, durante o Estado Novo, eram poucos os que entravam nas livrarias e aqueles que entravam nem sempre eram clientes. Acrescentava:
– Naquele tempo, havia livros proibidos, que se vendiam unicamente por debaixo do balcão, eu só os vendia quando tinha a certeza de que era mesmo um cliente que tinha à minha frente, não fosse ser apanhado.
Perguntei-lhe como conseguia distingui-los. Disse-me:
– A maior parte, já os conhecia, eram sempre os mesmos; mas, em caso de dúvida, tinha um método infalível para os distinguir. Fazia-lhes, dissimuladamente, um pequeno teste de cultura geral, antes de lhes dizer se tinha ou não o livro. Se passassem no teste, eram clientes, se não passassem, eram agentes da PIDE.

Sobre soliplass

email: friluftogvind@gmail.com
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