A estratégia inversa

Hoje é o dia de Pedro Passos, escreve o Der Terrorist… aludindo à mentirola. «Dia sim, dia também» por essa bloga fora é um estendal de lebres levantadas sobre as mentiras e falcatruas dos eleitos do Olimpo decisório e aparelho gástrico da República. Robalos de vara, Flamingos de sócrates, Submersíveis de portas, Sacos de felgueiras, Acções de cavaco, Aeródromos de passos e relvas, Swaps da miss dos ditos, o diabo… De resultados das denúncias e indignações, nickles, népia, «quieta ó ruça!». Impávidos, serenos e responsáveis singram e sobem, nódoa nenhuma se lhes cola ao balandrau nem brisa bonançosa lhes falta à popa da carreira do el dorado.

Seria tempo, talvez, de se experimentar a estratégia inversa; a que propôs Monteiro Lobato há quase um século…Vinha formulada em artigo que escreveu para o número 47 da Revista do Brasil de Novembro de 1919 (há quase cem anos portanto) sobre um livro acabado de sair dos prelos. Livro onde vinham coligidos («enfeixados em volume» – nas palavras do genial brasileiro) uma série de artigos políticos de Nereu Rangel Pestana – jornalista paulistano que assinava sobre o pseudónimo de Ivan Subiroff, hoje caído em esquecimento, e de quem pouco sei além do constante no Língua e Sociedade nas Páginas da Imprensa Negra Paulista – publicados no O Estado de S. Paulo e onde se denunciavam as roubalheiras da época. Intitulava-se o volume, publicado também em 1919, A Oligarquia Paulista. Desabafava Monteiro Lobato, propondo a tentativa de uma estratégia inversa:

“[…] 

De nada valeu a revelação destes fatos. Em qualquer país medianamente civilizado, metade do que disse Ivan Subiroff bastaria para correr das posições supremas os vendilhões do pudor. Entre nós, tais revelações só servem para lhes dar prestígio. Isto faz-nos lembrar o caso de um sujeito que se apresentou candidato à vereança e foi derrotado por poucos votos. No dia seguinte à eleição, os jornais davam notícia da pronúncia do homem como gatuno. 

   – Que pena esta pronúncia não ter vindo nas vésperas da eleição – disse um cabo eleitoral.

   – Por quê? -interpela um terceiro.

   – Porque, se o eleitorado tem certeza de que o homem era de fato gatuno, elegia-o pela certa.

Os otimistas têm esperança que as nossas coisas melhorem. Os pessimistas não esperam que isso aconteça. Os neutros, isto é os que se deixam arrastar nem por uma nem por outra corrente, esses ficam indecisos e atarantados. As  coisas correm de tal maneira entre nós que, por maior que seja a boa vontade, chega a parecer ingenuidade a esperança no conserto e no honesto funcionamento da coisa pública, enquanto estiverem de cima os homens actuais.

Campanhas como esta de Subiroff só servem para consolidá-los no poder. Talvez que o inverso desse resultado. Se fosse possível provar que todos eles são umas vestais, quem sabe viriam todos abaixo porque a recíproca do caso do vereador deve ser verdadeira…”

Sobre soliplass

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