Engordando a cria

No retrato do sector da Saúde fornecido pelos dados hoje divulgados pelo INE, são perfeitamente identificáveis quer a brutalidade dos racionamentos introduzidos pelo actual Governo nos hospitais públicos, quer como esta gestão de merceeiro tem favorecido o negócio da saúde privada. Os portugueses que podem fogem dos hospitais públicos, os que não têm como escapar sujeitam-se aos perigos de serem atendidos em condições cada vez mais desumanas e deploráveis.
[…]
Da mesma forma, entre 2010 e 2012, nos hospitais privados, que em 2012 asseguravam já 7,9% do total das análises e exames (em 2002 eram apenas 1,1% do total), esta actividade aumentou substancialmente mais de 1 milhão de actos em 2010 para 9,6 milhões em 2012. O mesmo relativamente ao número de atendimentos em urgência, que também cresceu substancialmente nos privados, praticamente duplicando numa década, passando dos 460 mil de 2002 para os 800 mil em 2012. Ao longo desta década, os hospitais públicos perderam cerca de três mil camas, enquanto os privados passaram a dispor de mais 1400 camas. Também as grandes e médias cirurgias, depois de terem crescido até 2010, diminuíram em 2011 e 2012 no sector público, refere o mesmo INE.


“Não há maior disparate que dizer que na Saúde houve cortes cegos”, dizia Paulo Macedo há um par de semanas. Os dados do INE vieram dar-lhe razão: não foram cortes nada cegos, foram cortes muito bem direccionados. Os privados, que já tinham razões de sobra para aplaudirem o bom trabalho dos seus antecessores, nunca tiveram um Ministro da Saúde que por eles fizesse tanto em tão pouco tempo. Degradar primeiro para privatizar depois. Já só falta privatizar o SNS.”

Filipe Tourais, no O País do Burro.

 

 

Sobre soliplass

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2 respostas a Engordando a cria

  1. manuel.m diz:

    Hoje no Guardian :

    Care of hospital patients is under threat because overworked frontline doctors are looking after so many sick people that they are missing vital signs of illness that could affect chances of survival, one of Britain’s most senior doctors warns today.

    Hospital doctors are running around “like a scalded cat” trying to look after up to 70 elderly patients at a time, far more than the maximum of 20 regarded as necessary to ensure they receive proper attention, the president of the Royal College of Physicians, Sir Richard Thompson, told the Guardian.

    Doctors specialising in acute medicine are so stretched they are not able to spend the ideal minimum of 15 minutes investigating each patient’s symptoms because they have too many patients to get round in a typical seven-hour shift, he added.

    Não são originais na maldade, o plano para destruir a saúde pública está bem em marcha aqui no RU:
    Primeiro cortam-se os recursos, depois culpa-se o serviço pelos maus resultados e finalmente apresenta-se a privatização como um progresso.
    Mas a bottom line é a mesma :
    Quem tem dinheiro trata-se,quem não tem morre.
    As simple as that

  2. soliplass diz:

    É mais ou menos o mesmo por todo o lado. Até na excedentária Noruega (que anda a investir os fundos do petróleo por esse mundo fora – uma boa forma de fazer desaparecer boa parte deles), a tendência se nota…

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