Coronat opus

 

 

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Por pena minha, vejo que encerrou o Tempo Contado. Os dias não serão o mesmo; sem a leitura diária do grande escritor. Sem o convívio (ainda que à distância) com o homem bom. Será para mim um mistério, o porquê de ler e reler J. Rentes de Carvalho. A grandeza do homem e da escrita, talvez ele a explique melhor que eu (parece-me este o fio condutor da sua obra), em uma das histórias de O Milhão:

“Desde esse dia, cada vez que tenho tentado escrever sobre o caso, apodera-se de mim o temor de cometer como que um sacrilégio. Porque banalizar a dor ou não encontrar as palavras capazes de traduzir o respeito que ela merece, equivale a profanar a memória dos que sofreram. E nas noites de insónia, quando se tornam mais frágeis as defesas que temos contra o mal e a loucura, eu revivo os acontecimentos em que não tomei parte, com um inexplicável e angustioso remorso, como se um parentesco misterioso me unisse aos protagonistas e fosse também minha culpa não ter evitado o drama. É então que escrever, mau grado os seus limites e imperfeições, assume um valor de exorcismo.”

Sobre soliplass

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