Bairro

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Raros dias me é dada oportunidade para não fazer nada. Estar sentado no café a ver fluir o trânsito, ver do lado de lá do vidro a senhora que vem passear a mãe anciã e o terrier jovem. E que ao canídeo lanzudo que por ali deambula ao frio abandonado (ou evadido) dá metade do croissant. É o meu bairro presente, as imediações do estádio de Bislet, esta uma das ruas; Thereses gate.

Ali existe a Bislet Bok, uma das livrarias pequenas que conheço por aqui que prima por uma cuidadosa selecção dos melhores exemplares da literatura. Ali se encontram traduzidos para norueguês por exemplo (e a preços bem módicos) a Vita Activa de Arendt, os contos de Quiroga ou Livro do Desassossego do “nosso” Pessoa. Terá sido mais uma das proezas de Gaspar: transformar-me a mim e à generalidade dos meus colegas pendulantes em exilados fiscais. A coisa, em certos dias tem as suas conveniências, como esta de viver entre gente que cultiva a urbanidade. Daí, que, muy urbanamente, «ide tomar óh gaspares, mais vossos eichmmanzinhos nos entrefolhos do coiso e tal».

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Sobre soliplass

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8 respostas a Bairro

  1. Harmódio diz:

    Espero que um dia o exílio de tantos portugueses termine. Fazem-nos falta.

  2. soliplass diz:

    Por mim, não me tenho em tão alta conta que considere que faça aí falta alguma. Mas por muitos outros, certamente. Concordo consigo. E fazia falta que houvesse algo de jeito para fazer por aí que não cumprir de forma acéfala os ditames das calvagaduras de cima. O óbice é que, andando um tipo a fazer algo de jeito e de útil, levando vida recta, não ganha prá sopa. Ter a ideia de levar vida desse tipo aí é mais ou menos como ter a ideia de dar palestras de direitos humanos no período da vigência do Terceiro Reich.

  3. Harmódio diz:

    Não discordo de nada do que diz, está inteiramente correcto. Mas como português que ainda quer o melhor para o seu país (e que tenta não olhar só para o seu umbigo) gostava de ver todos os meus concidadãos integrados. De forma real e decente. Fazem todos falta. E todos têm o direito de exigir poder regressar a um país decente que os valorize. Obviamente que com o que temos como regime actualmente tal não é possível.

  4. hmbf diz:

    Maravilhosa, essa exposição exterior. Seria possível por cá? Temo que não. E a culpa não é apenas do Gaspar.

  5. Subscrevo a frase final, acrescentando apenas: «excepto se gostardes». 🙂

  6. soliplass diz:

    Aqui é comum. Rara é a livraria ou alfarrabista que não tem à porta livros em oferta a preços reduzidos.

  7. soliplass diz:

    Ainda que gostando sempre estavam entretidos com outra coisa que não arrombar a algibeira do próximo.

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