Strangers in the night

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Chegarei a casa, da volta nocturna pela cidade, sem cigarros, sem dinheiro e sem isqueiro. Sentado numa mesa exterior do Expresso House, olhando o Nichol & Son do outro lado da Olav V que se tornou anónimo de menos para o meu gosto, reparo num tipo magro a apanhar beatas. Ofereço-lhe os cigarros, dá uma volta ou duas sobre si mesmo, indeciso, explica num inglês mau que é romeno, que vive na rua, que se lava de vez em quando na água dos parques ou no mar. Noto um ou dois termos franceses, experimento o francês. Soferível, trabalhou já em França. E por aqui anda aos caídos. Digo-lhe que espere, vou lá dentro e compro café e dois bolos. Bolas de canela com passas. Marejam-lhe os olhos, agarra a chávena grande com as duas mãos, vai comendo. Dou-lhe o resto das moedas: «sobrou isto». E vai contando. Desculpo-me com o também ser pobre. Mas que me importa já pouco. Quando com a idade se perde o vigor na verga já pouco importa ser pobre e solitário. De qualquer forma já não se conseguiria impressionar ninguém do sexo oposto. Ri por fim…

Ao chegar a casa, em zona escura do pequeno jardim, sou de novo abordado. Por lume. Dei o isqueiro. Não compreendo porque nunca fui assaltado. Talvez porque notem em mim um daqueles que vive por obrigação. E que ofereceria num assalto os códigos pin dos cartões em troca da promessa de um tiro certeiro.

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Sobre soliplass

email: friluftogvind@gmail.com
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9 respostas a Strangers in the night

  1. Tiro certeiro que traria duas perdas; a importante, de um bom ser humano, a de somenos, de um excelente prosador.

  2. soliplass diz:

    Nem o um nem o outro vale o feijão do almoço e por isso vivem desroubados por via que não seja oficial (lembras-te da chave na ignição da moto?), de qualquer forma agradeço-te a bonomia.

    Um abraço de cá,

  3. Gosto sempre tanto de ler o que escreve. Quando acaba a prosa tenho sempre vontade de lhe pedir que escreva mais.

  4. soliplass diz:

    Se bem que isto nem prosa é, mais uma banda desenhada com uma Fuji x-10 para evitar escrever mais; sobre o romeno e sobre os vultos que deambulam na cidade. De qualquer modo, grato pela benevolência.

  5. «… ofereceria num assalto os códigos pin dos cartões em troca da promessa de um tiro certeiro.»

    Lamento que penses assim. Por ti, sobretudo, mas também porque, mesmo à distância, gosto de te ter por cá.

  6. soliplass diz:

    Quanto mais cedo bater um gajo as sapatilhas mais cedo o fisco ferra o dente no sucessório. E poupa-se em reformas, contribui-se para a sustentabilidade do SNS.

    Patriotismo era ir a malta atirar-se do Cabo da Roca. Já o portas podia assim viso-vender toda a piolheira aos chineses.

  7. Eu falei-te de alhos e tu respondeste-me com bugalhos. Mas até é melhor assim.

  8. soliplass diz:

    Não ligues, isto é cansaço. Mesmo aquilo dos códigos pin é um cansaço acumulado.

    Um abraço de cá,

  9. Espero que sim, espero mesmo.
    Tem volta: um abraço.

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