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(…) A vitória do Syriza na Grécia aparece aos olhos da nomenklatura do PS e de todos aqueles que na base a apoiam como o quid indispensável à vitória de uma candidatura que “aposta na mudança” e na “luta contra a austeridade”. Puro oportunismo de nefastas consequências. Como se pode acreditar que um partido que liderou em Bruxelas, juntamente com outros da mesma linha política, a institucionalização do neoliberalismo na “Europa”; que colocou em mãos privadas a riqueza nacional, e que antes disso já tinha internamente aplainado o caminho para que todas essas grandes mudanças se pudessem fazer sem constrangimentos jurídicos; que colocou o poder europeu nas mãos de um directório restrito dominado pela Alemanha (e que disso tanto se vangloriou: “Porreiro, pá!”); que conduziu internamente uma política económica de favorecimento do grande capital; que aplicou e continuou a defender  gravosas medidas de política de austeridade; que institucionalizou essa política ligando Portugal a compromissos de difícil retractação; que nunca claramente afirmou que estaria disponível pelos seus próprios meios para reverter as consequências dessa política; que espera (com fé) que sejam outros a resolver os nossos problemas; enfim, como se poderá supor que um partido que fez tudo isto, e o mais que, mesmo resumidamente, aqui não cabe, seja capaz de protagonizar a mudança?

O PS está umbilicalmente ligado a tudo o que de negativo a Europa tem para nos oferecer. É que não há duas Europas: há apenas uma Europa, a que sempre existiu, a que paulatina, mas persistentemente, vem desde a sua fundação advogando e pondo em prática, primeiramente com algumas restrições, mas depois abertamente sem limitações, um liberalismo económico sem freios, inteiramente dominado pelo lucro e pela ganância, com desprezo pelos mais elementares direitos dos povos e dos cidadãos. Uma “Europa”, como aquela que já existe entre nós, onde somente as empresas contam e onde as pessoas mais não são que números descartáveis para as fazer crescer e dar lucros. Uma “Europa” onde aumenta a desigualdade e cresce a marginalização, onde os ricos são cada vez mais ricos, onde a classe média está a desaparecer e os pobres são cada vez mais numerosos.

J.M. Correia Pinto no Politeia

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