Um herói do mar; o marujo da floresta

Alguns dos leitores conhecem o personagem dos romances Jo Nesbø: “o último dos moicanos” como o herói dos seus policiais Harry Hole o alcunha; o marinheiro de guerra – como são designados os que ao serviço da marinha mercante norueguesa contribuíram para o esforço de guerra aliado e que posteriormente tão mal recompensados foram – alcoólico praticante que se senta no velho restaurante Schrøder e que aparece logo no segundo romance da série nos poucos capítulos cuja acção decorre em Oslo. Voltará a aparecer no terceiro desta vez em mais detalhe ainda, não fossem os personagens principais da intriga antigos combatentes ou da resistência, ou, na sua maior parte, os voluntários que por Hitler combateram na frente leste e na batalha de Estalinegrado. Se um dia aqui referi um volume da diarística de Leif Vetlesen e Ingvald Wahl que descreve essa experiência, ou aqui por motivo triste a de Helga Åbel finalmente alguém escreveu a epopeia romanceada desses homens e mulheres. Jon Michelet. Leio o primeiro dos dois volumes encantado. Uma amostra traduzida em inglês Um herói do mar; o marujo da floresta, que pode ser descarregada da página do link. O trecho que reproduzo ali aparece traduzido.

«Trean» aqui, é uma corruptela de «o terceiro». Ou, o terceiro oficial, que com Halvor (o marujo oriundo de zona florestal, Skramstad de apelido, personagem central) compartilha a ponte num dos quartos de navegação preocupados por estarem na rota de um tufão. Trecho do cap. 14, edição norueguesa da Forlaget Oktober. Há duas coisas que não sendo prova do virtuosismo e magnitude do romance (isso é uma opinião minha) são dignas de nota. Um oficial que na ponte à medida que o tufão se aproxima conversa com um simples marujo sobre literatura (neste caso o marujo não conhece a obra mas a leitura e a diarístistica fazem parte dos seus hábitos), e a ênfase que põe na questão da igualdade:

“Halvor stands at the helm. The heat is so oppressive that he’s only wearing a vest top, shorts and slippers.

Trean asks, ‘Skramstad, have you read the novel Typhoon by Joseph Conrad?’

‘No,’ Halvor answers.

‘Perhaps it’s just as well,’ Trean says, ‘because in Typhoon, the officers don’t behave particularly well when the ship is threatened with ruin. They sail under the Siamese flag in a small steamer called the Nan-Shan. The captain is an Englishman by the name of McWhirr. He’s your typical, stoic British skipper and he’s Conrad’s great hero. But I think McWhirr acts like an absolute fool when the typhoon threatens. Just as the navigators here on board the Tomar have done – he reads the orders on the best way to navigate so as to avoid the worst sectors of the typhoon.

McWhirr doesn’t give that wisdom the slightest consideration. He steers the Nan-Shan right into the centre of the typhoon.’ ‘Why the hell would he do that?’ Halvor asks.

‘To get out of sailing an extra three hundred nautical miles to their point of destination, Fuchow on the Chinese coast. In being so stingy, McWhirr places the ship, the English officers and the crew in great danger, not to mention the Chinese passengers. In the midst of the typhoon the third mate panics and has a nervous breakdown. McWhirr finds himself forced to knock him down properly. Jukes, the second mate on the Nan-Shan, isn’t quite right either. During the hardships from that bloody, devilish wind, Jukes keeps wanting to give up. We must hope that here on board the Tomar, we have more ice in our bellies and that the crew and the officers are poised to act like a reasonable collective when danger threatens.’

The meeting with the approaching typhoon seems to be making Trean rather nervous; Halvor has never heard him talk so much before. Trean sets off an explanation as to why Norwegian seamen are better equipped to tackle a typhoon than British seamen are. There’s not such a fierce class divide between the crew and the officers on Norwegian boats as there is in the British merchant navy. No one becomes an officer on a Norwegian ship without having gone through the ranks from deckboy to junior seaman, ordinary seaman and able seaman. The system on British boats is such that officers begin as cadets, and then climb their way up the officer’s ladder in a way that ordinary deck crew aren’t able to.”

Sobre soliplass

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