Mijanceiras no país das sagas

O autor do Herdeiro de Aécio publicava um dia destes um artigo intitulado sagas de países onde não se sabia haver «mijanceiras» com a foto do sueco Gunnar Somoliansky que em 1983 captou um grupo de folgazões a aliviar-se numas paredes de uma Copenhaga de antanho. Estranha a falta de civismo.

Li aquilo divertido. A lembrar-me que, já no início do nosso século, Torgrim Eggen – na excelente saga-sátira política que é o seu romance Trynefaktoren (Factor Focinho) onde vai descrevendo as intrigas da democracia social-democrata actual, presa dos interesses económicos e dos grupos mediáticos – como que actualiza o quadro em Oslo. Era comum ver-se, ao fim da noitada, protagonizado pelo pessoal que regressava dos bares da Karl Johans: um maduro cambaleante, de mangueira na mão, aliviando-se na parede lateral do parlamento (Storting) ao mesmo tempo que saca do último modelo de telemóvel e telefona a um conhecido, relatando a proeza.

Se bem me lembro (passou quase uma década desde que li o romance) retratava-se ali quem – num misto de civilidade, respeito pelas instituições e actualização tecnológica – gritava em voz etílica: «Imagina onde é que eu estou mesmo agora a mijar!»

Sobre soliplass

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