Sem apoios partidários

Sobre “presidenciáveis” escreve Pedro Correia a propósito de Fernando Nobre:

À segunda será de vez? O presidente da Ajuda Médica Internacional candidatou-se a Belém em 2011, sem apoios partidários, e obteve um terceiro lugar, com 14% dos votos. Surpreendendo assim os “analistas políticos” do costume…

Foi, certamente, surpreendente a votação expressiva obtida pelo candidato. Ainda mais surpreendente se considerarmos o terceiro lugar que obteve «sem apoios partidários». Estas coisas, no entanto (e apesar de nas legislativas seguintes o candidato «sem apoios partidários» aparecer nas listas do PSD) merecem ser relativizadas.

É que, como alguns se esforçam em não notar, as últimas presidenciais foram ricas em acontecimentos «sem apoios partidários». Foi o caso, por exemplo, do incidente com o cartão de cidadão (bronca eleitoral segundo o título do JN) que ocorreu, certamente «sem apoios partidários». Como a fatia eleitoral mais idosa e rural «sem apoios partidários» o usa menos que a fatia mais jovem e urbana «sem apoios partidários» o efeito em termos de turn-out de voto conservador versus turn-out de voto progressista está por deslindar. Também o tirar o caso a limpo tem estado, até agora, «sem apoios partidários». Mas, para quem andou uns anos a ouvir aulas de André Freire, Pedro Magalhães, Pedro Tavares Moreira, Carlos Jalali, etc., consegue mais ou menos imaginar para que lado pende o fiel da balança.

«Sem apoios partidários» parece ter sido também a bronca com a contagem de votos. Para não irmos ler coisas da esquerdalhada, leiamos o site da Ordem dos Advogados:

Um dia depois da publicação, em “Diário da República”, dos resultados oficiais das eleições presidenciais, o Tribunal Constitucional (TC) teve um gesto inédito: notificou as 20 assembleias de apuramento distrital para procederem a uma revisão dos resultados. “Suscitando-se a dúvida sobre a existência de erros”, diz a assessoria de imprensa do TC, é necessário proceder “à sua confirmação ou correção”.  

[…]

Os 52 mil votos perdidos de Almada dão um sério contributo para explicar o apagão de 60.448 votos — entre a noite das eleições e a publicação oficial no “Diário da República”. Mas há ainda erros detetados pela Comissão Nacional de Eleições (CNE) nos distritos do Porto, Braga, Coimbra e Viseu. Neste último, em Penalva do Castelo e no concelho de Viseu terá havido situações de duplicação de contagem dos votos. O número não está totalmente determinado.  

[…] & etc e tal

fazendo contudo notar que… Setúbal é tradicionalmente conhecido como «distrito vermelho» e Viseu como «cavaquistão». Tudo isto é claro, «sem apoios partidários». Como é «sem apoios partidários» que a opinião pública mal percebe que a fórmula de conversão de votos em mandatos é distinta nas eleições presidenciais e nas legislativas, pelo que o equilíbrio esquerda-direita, é outro. Ou, é menos distorcido pela magnitude dos círculos das legislativas. Pelo que todos estes (maus) sinais «sem apoios partidários» até podem passar por normais e corriqueiros, por junto ou em separado. De facto, foram tantos que o resultado de Fernando Nobre nem parece surpreendente. Ou, surpreendendo, quando muito, os “analistas políticos” do costume…

 

Sobre soliplass

email: friluftogvind@gmail.com
Esta entrada foi publicada em Uncategorized com as etiquetas , , , , , . ligação permanente.

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s