Esqueletos

 

Há no (excelente) romance de Levi Henriksen «Neve cairá sobre a neve que caiu» (sinopse em língua franca aqui) uma imagem de um “esqueleto de frio”. Ancorado naquele inverno de Skogli, Dan, o personagem principal tem dificuldade em aquecer a casa: tem a impressão que a cave está repleta de um tipo de gelo que lentamente começa a trepar das fundações até tornar toda a casa num esqueleto de frio.

Vi-os palrar num escarcéu exibido e muito cheios de si mesmos à entrada do avião, durante a viagem. Gente de empresa ou de empresas, vestidos de sicilianos, elas umas lambisgóiazecas de coiro batido e voz estridente. Há coisa de duas horas, já depois de aterrados em Oslo, continuam na recolha de bagagens o triste circo. Engarrafam o acesso à esteira, passando para lá da linha, a sua bagagem mais importante que a dos demais. E recolhida, lá continuam em alegre algazarra, a vedar o acesso aos outros que ficam com poucos minutos para apanhar o último comboio. Um esqueleto de má-educação que cresce do solo luso e que envenena os dias. Que mais se destaca em solo estrangeiro. Que dá vergonha. Fujo dali com medo que alguém me peça informação ou meta conversa, que fique patente que falo a mesma língua e que trago o mesmo passaporte.

Sobre soliplass

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