Dádivas de Outono

Não lembro o título nem em que página. Num romance que li há já uns anos, há uma personagem batida pelos infortúnios da vida (de entre outros, a pobreza e a faeldade) que afirma que os livros nos aceitam como somos, feios ou pobres, bem ou mal vestidos, doentes ou deformados. Gagos ou surdos. Como os cães, ou as florestas, acrescentaria este vosso criado. Lillomarka, na tarde de ontem:

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Quilómetros e quilómetros sem avistar vivalma que não plantas e aves. A floresta templo dos povos nórdicos. De ruídos apenas o traquinar das folhas amarelecidas, a brisa da tarde nos pontos altos. E de súbito dois cães, farejando, apressados, as coleiras com as antenas transmissoras. Caça ao alce.

De repente lembro uma frase. “Eu não tive cães, fui visitada por Deus”. Pedi-a à autora, junto ao autógrafo com que me presenteou no livro que lançava há coisa de duas semanas em Lisboa. Outra das dádivas deste Outono. Voltei a casa, ao longo do Tejo batido pelo luar, deixando a moto deslizar pela noite fresca, um ronronar fagueiro de motor, estradas de lezíra, cheiros de terras e pinhos, vinhedos. Longe de mim voltar a pôr os pés em tal lugar. A Buchholz. Onde, um dia, por trazer tez queimada e roupa com vestígios de trabalho agrícola fui maltratado ao perguntar por um livro que procurava. Curioso sítio, etiquetada e protocolar Lisboa, onde a gente se orgulhava de ser aluno de pós no ICS sem saber que um dia os mestres escreveriam aquelas coisas no Observador.

Se destes ermos posso aconselhar qualquer coisa, aconselho ISTO. Pode muito bem ser (como o foi para mim) uma dádiva de Outono.

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Sobre soliplass

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2 respostas a Dádivas de Outono

  1. Nem sei quantos posts dediquei à Buchholz, e sempre sem entender a reverência que lhe consagravam. Por exemplo, quando o Pacheco Pereira chorou grossas lágrimas pelo desaparecimento do antro:

    https://vidabreve.wordpress.com/2012/02/21/saudades/

    Ou na altura de Natal, tempo de peditório:

    https://vidabreve.wordpress.com/2009/12/02/mais-um-natal-mais-um-apelo-lancinante-para-salvarmos-a-buchholz/

    E repare que não era você o maltratado: qualquer lisboeta que não fosse o Dr. Prado Coelho se arriscava a um carolo das graças locais.

    Mas dizia o João Lisboa que era bom paradeiro para roubar tomos. Nem tudo era mau, portanto.

  2. soliplass diz:

    Só lá tinha entrado uma vez (até esta recente) e fiquei descliente. Calhou ser dama a atender pelo que não pude descuidar o cavalheirismo. Mas bem me apeteceu.

    Enfim… coisas das nossas. Bem me lembro que o que procurava era O Riso e a Noite de Nuno Bragança. Que até hoje nunca li.

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