Neve e pó

018

Sol, ar limpo, cerca de quinze abaixo de zero. E a palavra mágica; «pulver sne», neve de pó. Lá em cima, a meia hora no metro de superfície, a floresta branca, as pistas de fundo por quilómetros. Nas paragens do autocarro, homens, senhoras, crianças, damas e cavalheiros, o cão e o gato de skis e gorros, mochilas aprovisionadas de termos de café e a sandes disto e daquilo, barras de chocolate. A coisa (li e vi a foto do Aftenposten, com ligação à Oslo-by) anda perto do paraíso branco.

Mas só tenho três horas e picos entre navio atraca e navio zarpa. Chegar a casa e pegar no material, vestir e calçar, apanhar o metro, dá para cinco minutos de deslização antes de voltar à origem. Mais um pouquinho, meio disco do relógio, e talvez desse… Mas – como diz o outro -, por pouca coisa é um homem corno!

Vejo os outros, roído de inveja. E vejo os skis na arrecadação da cave, a bolsinha dos lubrificantes, as botas penduradas. Ainda este ano não foram usados, e sabe-se lá quando e onde, se…

Natal e Ano Novo de turno, 264 horas de trabalho em 22 dias consecutivos. Doze dias de féria depois, mas… aviões e comboios, a lusa pátria. Correrias, limpezas, compras, reparações, cozinhar, correr aqui e ali, papéis, contas, obrigações, burocracias. Dormir de vez em quando, lavar roupa e estendê-la. Um estendal de chatices e mais a revisão do carro que por necessidade de uma bobine e um jogo de velas, duas pastilhas, levou quatro dias. Não me lembro de ter feito nada que me apetecesse ou gostasse a não ser cumprimentar o Henrique Fialho e jantar de corrida com o melhor amigo, na noite de sábado. Ler meia dúzia de livros, mas isso é coisa que se faz enquanto se vai esperando pela próxima chatice.

Tenho a impressão que, entre a vida que levo e os prazeres da vida a que chego, existe um a relação parecida com os antigos casamentos por procuração: só letras sobre papel e pouco mais…

Não fosse por assustar os vizinhos que de tontos já contam os necessários nos prédios que circundam o jardim interior, tinha calçado os deslizantes e dado três voltas ao redondel para exorcizar a frustração. Ou o pó à falta de disponibilidade e ocasião…Figura de parvo era certa mas não se calcavam as begónias.

012.JPG

Sobre soliplass

email: friluftogvind@gmail.com
Esta entrada foi publicada em Uncategorized. ligação permanente.

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s