Voto virtual ancorício e nefelibatoso.

Subscrevendo todas as razões adiantadas pelo Luís M. Jorge, também eu optaria por votar em Marisa Matias se me encontrasse no país à data das eleições. Acrescentaria mais duas:

i) É a candidata que representa no espectro partidário o eleitorado mais esclarecido; as suas responsabilidades representativas são as mais altas (comparativamente); está habituada a responder perante o “colégio” eleitoral mais moderno e exigente.

ii) É a candidata melhor preparada para avaliar as implicações da política europeia na política nacional e vice-versa. A sua experiência nas instituições europeias permite-lhe uma visão particularmente informada.

Espero que passe à segunda volta. E passando, bom seria ver mais quatro candidatos num seu Conselho de Estado. Paulo Morais pela coragem em não se calar com um dos mais graves problemas nacionais. Henrique Neto pela sua experiência de vida e noção das dificuldades da vida empresarial; um país não se faz sem empresas. Edgar Silva pelo seu percurso de vida batalhando pelos mais pobres; é bom que não haja sub-solos humanos numa nação moderna e civilizada. Sampaio da Nóvoa, pela coragem de um discurso normativo e com tons de utopia num tempo e lugar de interesses e de políticos-contabilistas.

Parece-me que seria muito desejável que disputasse uma segunda volta. Mas nada menos certo. Marcelo pode sair ganhador logo à primeira. Não seria grande surpresa: a um país que não repugna uma Teresa Guilherme de saias também repugnará uma Teresa Guilherme de calças.

Sobre soliplass

email: friluftogvind@gmail.com
Esta entrada foi publicada em Uncategorized. ligação permanente.

13 respostas a Voto virtual ancorício e nefelibatoso.

  1. Tenho receio de que, começando a falar sobre política e essas merdas elevadas, você deixe de relatar as histórias que aqui põe sobre o sogro facho, as cabeleireiras de Leiria, os alfarrabistas de Oslo e a vida em alto mar.

  2. soliplass diz:

    Tem razão, não é bom falar de política. Nem gosto. Sabe que tenho um trauma enorme com a análise política? A modos que um gajo que apanhe uma carraspana de truz com gin ou com genebra e nunca mais na vida o pode cheirar?

    Foi uma série de coincidências trágicas. Você lembra-se certamente daquele tempo em que o Powel foi mostrar umas fotografias no Conselho de Segurança. Eram tempos conturbados. E eram tempos também em que na licenciatura de Ciência Política da FCSH quem dava as duas cadeiras semestrais de Análise Política era um dos gurus (ou gabirus) do PSD: Vasco Rato. Imagine onde foi cair este seu criado que nem raposo em ratoeira. Ora dá-se o caso que o bom do Vasco, talvez escardeado de não o deixarem ir servir o chá à cimeira dos Açores, tratou de ultrapassar os outros pela estratosfera. E usou os dois semestres para nos demonstrar por a+b que o Iraque era o sítio certo para instaurar a democracia no médio oriente. A coisa tinha alguma lógica, convenhamos. O Iraque era a sociedade mais moderna e laicizada da zona. Nisso tinha uma certa razão. Tanto assim que Sadam nunca era visto de burka ou albornoz. Mantinha-se composto, usando gravata. E se não fosse aquela que lhe foi fatídica – a entrançada – era menino para não destoar em sala sir Winston Churchil ali à Católica. Depois, sabia-se desde Hutington que a democracia vinha em vagas; a mais famosa a terceira. Assim a modos que o canhão da Nazaré da História. Atrás da terceira viria a quarta, e mais a quinta, etc. Ora, nada mais simples.

    Era também o tempo da transitologia; das análise das transições democráticas. As experiência da América Latina com as suas transições parecia ter dado a comprovação de que os processos de democratização eram irreversíveis. Conhecia-se a técnica e os escolhos a evitar. Vai daí, era só deitar uma mistura de democracia e Iraque ao canhão da Nazaré da História e o médio oriente (por um efeito de dominó), acabaria todo, finalmente, na praia democrática. Pacífíco, laico, aparelhado de desenvolvimento, amigo do pluralismo. Talvez mesmo liberal, se sir João Carlos Espada prescindisse dos direitos de autor e fosse traduzido em árabe.

    Claro que a coisa correu menos bem que o previsto. Os dominós começaram a cair e a deitar casas abaixo. De repente a malta não tinha onde morar e um gajo naqueles ambientes se não tem casa corre o risco de ser atropelado por um camelo. Ou vários. Depois (porque uma desgraça nunca vem só – e desde o tempo do Camões dos erros meus, má fortuna e amor ardente que o sabemos) falhou ali uma coisa essencial. A condição fundamental: conquistar os «hearts and minds»…, era insuficiente. Conquistando-se mentes e corações mas deixando a líbido à solta (e aquilo ser terra de mil e uma noites já não prometia nada de bom) é rumo certo ao desastre. Ora a malta, sem ter barraca onde morar e com a líbido incendiada, lá vem toda de roldão a apalpar as bochechas às donzelas de Colónia. E agora está aí um 31 do arco-arco-da-velha.

    Tá a ver como as coisas são? Um Rato abana as orelhas na Avenida de Berna e arma-se um furacão daqueles em terras teutónicas? Quem assiste a uma coisa destas fica traumatizado.

  3. soliplass diz:

    Essa das cabeleireiras de Leiria não fui eu. Mas (quem quer que tenha sido) se o impressionou e lhe ficou de memória deve ser de truz. Leiria e cabeleireiras é boa caldeirada pelo que tenho ouvido e observado…

  4. Sim, tem razão. Outra das consequências, desta vez não demográfica, parece ser o estranho percurso do Partido Republicano na América. A falência do neorepublicansmo (com esse braço armado de intervenção no exterior) parece ter dado lugar ao recrudescimento do Tea Party e daquela epidemia populista em que todos os candidatos mais ou menos se banham. Enfim, uma tragédia com muitas consequências.

  5. Passando ao largo da Marisa e do comentário cimeiro do LMJ, pessoa de muitas manias (modesta consideração, vejamos, de todo truculenta, que eu jamais coiso:) tendo a concordar com ele:

    “Tenho receio de que, começando a falar sobre política e essas merdas elevadas, você deixe de relatar as histórias que aqui põe sobre o sogro facho, as cabeleireiras de Leiria, os alfarrabistas de Oslo e a vida em alto mar.”

    E a mulher dos belos ombros, atrevo-me a acrescentar 🙂

  6. Ai, que se está a estragar o idílio que tínhamos encontrado nesta caixa de comentários. Entram aqui mulheres com modos de guardadoras de patos.

  7. Soliplass,
    trancas na porta, rápido, ou coiso!

  8. soliplass diz:

    Luís, peço-lhe desculpa mas como não modero os comentários (e em períodos de trabalho por vezes nem por aqui passo com a frequência desejável), nem sempre me apercebo a horas do que aqui é escrito. Pelo que a coisa fica em roda livre…

  9. soliplass diz:

    Cara Alexandra, o âncoras é espaço aberto; nem tem onde se aplicar as trancas. Foi assim de nascença. O que se pode fazer é atirar duas pázadas de serradura ao chão e pôr-lhe uns panos por cima. Depois pedir o alvará de circo à WordPress, quiçá…

    Uma pergunta Alexandra: leu o “Biographie de la faim” de Amélie Nothomb? Este: http://www.albin-michel.fr/Biographie-de-la-faim-EAN=9782226153944?

  10. Não li, mas espreitei a sinopse, parece-me obra a ler e agradeço a sugestão.

    Notei, entretanto, que os meus modos de guardadora de patos me fazem tratá-lo por tu seguramente há mais de 1 ano e que o tratamento do Soliplass é mais formal, pelo que respeitarei a sua forma de comunicar.

  11. soliplass diz:

    Cara Alexandra, perguntei-lhe isto do livro porque num dos capítulos do Biografie (pp. 212, nesta primeira edição de 2004) relatando o evoluir dos estádios de anorexia, Nothombe deixa estas duas frases espantosas:
    “Puisqu’il n’y avait plus de nourriture, je décidai de manger tous les mots: je lus le dictionaire en entier. L’idée était de ne sauter aucune entrée: comment décider par avance que certaines n’en vaudraint pas la peine?”

    De quando em vez quase suspeito que você passa por uma experiência qualquer deste tipo. Mas que em vez de comer palavras de A a Z as come de forma aleatória. Muitas vezes (há sempre a possibilidade de eu ser tapadinho, é claro) não se percebe bem o que você quer dizer com uma frase ou outra.
    Por exemplo (deixando de lado a questão da necessidade de uma afirmação desse cariz em caixa de comentários alheia), o que é que quer dizer exactamente com “ LMJ, pessoa de muitas manias (modesta consideração, vejamos, de todo truculenta, que eu jamais coiso…”?

    «Manias» em que sentido? a) obsessões? b) hábitos estranhos, taras? c) vaidade?
    Se por “manias” quer dizer obsessões, mais que apontá-las, creio que é dever de todo e qualquer cristão compreendê-las e perdoá-as. Quem as não tem? E quantas vezes elas se revelam um infortúnio para quem as sofre, mais do que resultar em prejuízo alheio? Veja o caso paradigmático do Professor Doutor Vital Moreira. Em novo teve a obsessão de construir a sociedade sem classes, o igualitarismo. Mas, ou porque a vida dê muitas voltas ou por ínvios que sejam os caminhos do Senhor, a única coisa que conseguiu foi enriquecer. E agora é vítima de uma amargura sem fim. Ler os posts que ele escreve no «Causa Nossa» parte o coração. Dá dó. Pelo menos a quem não traga na caixa do peito um coração empedernido.

    Se por “manias” quer dizer hábitos estranhos ou taras, ao LMJ Deus lhas conserve se elas são a causa de escrever tão bem, com a ironia e inventividade que eu tanto lhe aprecio. Se ele tiver por exemplo, a mania de pressionar a Oxford University Press para que na Grande Enciclopédia do Pensamento Ético exista a entrada «Oliveira e Costa», não resulta isso em benefício comum? Você vai criticar a mania que tenho (pelas minhas origens campestres?) de considerar suprema injustiça ter o Criador dotado os chibos apenas de nove dentes (e como se não bastasse ainda. apenas no queixo de baixo!) quando já sabia perfeitamente que iriam a retouçar em mato espinhoso ou carrascais? Nisto de lutar por um mundo mais justo qualquer ponta por onde peguemos serve. E o que vale p’ra chibos vale para os penteados de Maria de Belém.

    Se por manias quer dizer vaidade, cá por mim acho que é mais que justificada. Eu também às vezes tenho vaidade do que ele escreve e não é nada meu. Se um dia o âncoras chegar aos calcanhares do vida breve rebento. Crime ambiental. Depois daquelas chuvas ácidas de há umas décadas atrás, teremos soliplass pulverizado a cair nos lagos escandinavos.

  12. Soliplass,

    creio que qualquer pergunta que me tenha colocado foi por si respondida, de uma forma ou de outra. Não era minha intenção resvalar para qualquer espécie de ofensa no que ao seu escriba de eleição (?) diz respeito, sequer a si. Brincava, mas não adianta grande conversa (monólogo?) sobre aquilo de a comunicação transportar erro, que transporta, com grande facilidade e se a isso se juntar a falta de vontade em interpretar de modo ligeiro, brincando, que nem tudo serve para grandes seriedades (disso já tenho a maioria dos dias repleta, mas sim, a culpa não é sua).

    não regressarei a esta caixa de comentários, continuarei sim a ler o blogue, vastamente superior ao vida breve (opiniões…).

    alexandra g.
    (agora em modo de desguardadora de patos)

  13. soliplass diz:

    Bom, resumindo:
    Vc disse que ele tinha manias, ele que vc tem modos de guardadora de patos, eu que às vezes vc parece que gagueja nas frases. E vc não disse que eu sou um parvalhaça dos quatros costados mas poderia ter dito sem se enganar por muito.

    O que isto tem de bom é que (assim tenhamos todos os três saúde e dinheiro prós copos) é que não tem importância nenhuma daqui a dois dias. Já não tinha há dois dias atrás. Olhe, é sábado, saia e divirta-se, beba uns púcaros. Eu não posso deste lado de cá. Fica-me só a inveja.

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s