Curiosidades – Transferências – Editoriais

(presumíveis clientelas partidárias do PS, PCP e BE -à escala daqueles pristinos tempos – a ilustrar capa de monografia etnográfica )

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Coisas de sábado. Quando, para ocupar o tempo e desbastar o tédio, lembramos o que não lembraria ao mafarrico…

Fui até ali à estante ler umas partes do livrinho epigrafado. Escócia, outros tempos. Tempos duros. Tudo isto em solidariedade com a cronista .  Assim se queixa a cronista do Observador a respeito do orçamento transferamentista:

“Mas não haja agravos: as clientelas partidárias do PS, PCP e BE vão ter os seus rendimentos aumentados, sustentados por estes maiores saques fiscais a quem vive desligado destes partidos e do estado. Nunca vi mais escancarada transferência de rendimentos de um grupo para outro. Orquestrada por um governo. Foi a isto que Friedrich Hayek chamou de ‘caminho para a servidão’. Graças ao PS, seremos escravos das clientelas da geringonça.”

 

Nunca viu mais descarada transferência de rendimentos de um grupo para outro, a pobre senhora temerosa dos “caminhos da servidão”.

Confesso (serão tímidas e furtivas, talvez, como as galinholas?) que, de transferências, também não tenho visto muitas. Mas há relatos. E um dos mais impressionantes vem precisamente naquele livrinho de cima; que nos oferece também a transcrição de um dos mais pragmáticos e realistas editoriais que se escreveram contra as transferências de rendimentos. No Fifeshire Journal a 23 de Setembro de 1847 (reimprimido no Perth Constitutional a 29 de Setembro do mesmo ano), sob o título de “Highland Destituion”.

Para o fornecer o contexto, os dois primeiros parágrafos da introdução desta bela peça de historiografia de Krisztina Fenyo publicada pela Tuckwell Pres:

“Lowland readers of the Scotsman were becoming annoyed in 1847. Since the outbreak of the Potato Famine in the Highlands in the late summer of 1846 they had been constantly beseeched to subscribe to relief for their starving Highland neighbours. At first their charity was generous, but as newspaper reports started to flow in with ‘revelations’ about the exaggeration of the famine and of the ‘inherently idle character’ of the Highland Gaels many Lowlanders lost their patience.

Why should they support with their own hard and industrious work the habitually ‘lazy’ and ‘barbarous’ Highlanders, who were clearly an ‘inferior race’ to them? They were angry and appalled, and insisted that charity must have its limits, and if the starving people did not manage to help themselves they had better to remove themselves from the land. Letters expressing such sentiments were frequent in the pages of the Scotsman and several other newspapers during the years of the Highland Famine. And this was only the beginning of an upsurge of views of contempt, and at times even sheer hatred, for the Highland Gaels in the Lowland Press.”

É neste contexto, que o director do Fifeshire Journal publica então (a 23 de Setembro de 1847) o editorial Highland Destituion, que, apesar dos esforços dos nossos cronistas, editores, e demais gente responsável e pragmática, continua difícil de ultrapassar:

… charity, like all former charities given to the Highlandmen, and like all alms bestowed on the undeserving, has just served to plunge them more and more into demoralization and wretchedness, to make their wants greater and their clamours louder and more impudent. It is not more notourious that the sons of Ethiopia are black, that is to all that know them, that Highlandmen will not work if they can get their meat by any other means (…) It is an utter misapprehension of their true character  to think that they do not like to live on charity. They like, and they have always liked to get alms since the time they found it inconvenient to live on plunder…

The destitution of the Highlanders… is the natural and legitimate fruit of their national vices (…) there is abundant proof that the laziness is the darling sin which the Highlandman cherishes amidst all his imagined piety and morality.

(…)

This wholesale robbery for the purpose of maintaining vicious idleness must be put an end to – the large sum of money on hand must be kept for some really benevolent purpose; and let it be known throughout all the lands and islands, from Oban to Lewes, that the industry of the Lowlanders are no longer to be taxed to support the laziness of the Highlanders. Let those who will not work starve – their doom is just and righteous, and for the benefit of society.” *

É claro que editorialistas deste calibre não são hoje fáceis de encontrar. Mas o texto sempre poderia servir de minuta (com uns ajustes aqui e ali) quando fosse necessário crónica insurgente contra as transferências em benefício das clientelas partidárias do PS, PCP e BE. Aqui se deixa de oferta à cronista.

Não é que seja assunto que se traga a terreiro, mas – quanto a ajustes, também precisará a minuta de poucos… no caso de transferências para banqueiros.

* Fenyo, Krisztina, Contempt, Sympathy and Somance: lowland perceptions of the Highlands and the clearances during the famine years, 1845-1855, Tuckwell Press, Est Linton, 2000. (pp.71-2)

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Sobre soliplass

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