Gruas

De forma involuntária, lendo, aqui tão longe, o poema a grua, as lágrimas. Não aquela grua, mas outra. Humana. Houve um homem, pobre, bom, analfabeto que tirei há muitos anos, numa tarde de Verão, já sem vida de dentro de uma pequena represa. O Manuel. Deixei-lhe há anos aqui um (também pobre) epitáfio: … vindo do Couço, magro e seco, alegre, uma grua – puro aço.

A represa desapareceu. Explorações de barro… mas cinquenta ou sessenta metros para poente existe ainda uma pequena lagoa que se vê verde no google earth. E ao ver a água, a cada vez que passo por lá a caminho de uma das terras do meu pai relembro a tarde, a dor da mulher e do pequeno cão, a sua carne já fria contra o meu peito.

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