Ler os outros

No Kyrie Eleison; A virtude da austeridade:

 

[…]

“A contenção do desejo, o rigor na limitação do desperdício, a disciplina na relação com a natureza, tudo isso só pode ser visto como virtuoso. E sendo virtuoso, como uma norma moral que deveria  regular – com seriedade e severidade – o comportamento de todos os seres humanos. Em primeiro lugar, o daqueles que vivem nas sociedades mais ricas do planeta.

O que promove a má fama da austeridade é a sua contaminação política e a suspeita de que a sua distribuição não é igual para todos. Nas actuais políticas de austeridade, os que são atingidos por elas percebem que os recursos que lhes são retirados não visam uma austeridade virtuosa. Visam antes a transferência para aqueles que são mais poderosos.

O problema da austeridade não está nela mesma, mas no facto da austeridade de muitos servir a exuberância e o excesso de alguns. Em sociedades como a nossa, marcadas pelo cálculo racional e egoísta e alicerçadas na inveja, a virtude da austeridade só seria aceitável se os mais poderosos se entregassem eles próprios, de forma séria e severa, à austeridade. Como se sabe, apesar de eles a recomendarem aos outros, não a vêem como um dever para eles. Pelo contrário.”

.

Sobre soliplass

email: friluftogvind@gmail.com
Esta entrada foi publicada em Uncategorized com as etiquetas , , , . ligação permanente.