Imaginação de ficcionista – cegos e futebol

006

 

Como pequena retribuição a um homem a quem devo tantos actos de generosidade, tento escolher uma obra de literatura norueguesa. E do que encontro traduzido para língua franca, decido-me pelo romance histórico de Thorvald Steen. O de cima da foto, traduzido para inglês e publicado sob o título de «The Little Horse».

Ao que me apercebo, Steen é senhor de uma imaginação prodigiosa. Não conseguiu apenas recriar a partir da imaginação os últimos dias do celebrado autor de sagas Snorri Sturluson naquele mundo violento da Islândia  do séc. XIII. Conseguiu também, numa Lisboa já do séc. XXI, imaginar um personagem de um dos seus romances (o segundo a contar de cima, o Kamelskier  – existe também versão inglesa, o Camel Clouds) que esperando por uma jornalista inglesa no café Nicola, abre um jornal esquecido numa mesa vizinha e lê que, num estádio de futebol acabado de construir, uns ecrãs gigantes tapam o campo de visão. Das bancadas atrás dos ecrãs não se consegue ver o relvado. Um vice-presidente de uma associação de cegos rejubila por ter conseguido um preço muito convidativo para que os cegos seus associados possam assistir ao espectáculo desportivo da parte de trás dos ecrãs.

Convenhamos que, para imaginar uma cena tão surreal, é preciso imaginação. Portugal sai honrado por, ainda que em ficção, ser palco de uma cena destas na literatura internacional.

Da página 42 do Kamelskier, o parágrafo em causa:

003

Sobre soliplass

email: friluftogvind@gmail.com
Esta entrada foi publicada em Uncategorized com as etiquetas , , , , , . ligação permanente.