Hoplitismo

006 - Cópia

Nove de Julho, calor de rachar logo pela manhã. E ainda mal estacionei o furgão, já dou com ele nisto. Oitenta e nove anos feitos. Havia dois meses precisamente naquele dia.

Ralho. Que se deixe estar à sombra, que não se canse. E ao mesmo tempo apetece-me ficar a olhá-lo naquela ânsia de participar, de ajudar. De ombrear.

Num tempo em que na aldeia a nova geração voltava as costas aos trabalhos do campo, fez-me fazer figura de parvo ante toda a população; a local e das vizinhanças. Reputação que não perdi até hoje. Dos rapazes do meu tempo já ninguém sabia engatar uma junta de bois, orientar a rabiça da charrua tirada por uma mula pelo meio de um vão de vinha. Exertar, podar, abaixar. Deitar a travadoira aos dentes de uma serra. Picar a gadanha e aguentar um dia de ceifa, terra abaixo, terra acima, estendendo maranhos. Depois, à noitinha, vindo de lá, saboreando o ar fresco e a cantoria dos grilos, havia um contentamento estranho. E uma certa forma de orgulho; ter aguentado todo o santo dia ao lado do hoplita fiel e incansável.

Sempre foi assim desde que me lembro; os “versos ao vivo” de Como los bueyes de Almafuerte…

…y el honor de salvar al mundo entero
se lo dejo a los genios y a los reyes:

Hago, vuelvo a decir, como los bueyes,
mutualidad de yunta y compañero.

Sobre soliplass

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