Leminski em voz alta

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(foto de hoje, a caminho do Largo da Ordem)

“Leminski falava alto, aumentando o volume da voz conforme a quantidade de doses bebidas. Algum amigo ou conhecido passava diante de um dos bares do centro ou ali no entorno do Lago da Ordem, de longe ouvia a voz estridente do Polaco, entrava para ver/ouvir sua falação altissonante e candente, mesmo que fosse para defender o seu sempre original ponto de vista sobre um grafite, uma quizila política ou uma questão artística.

[…]

Se alguém reclamava que falava alto, pedia perdão, mas emendava que, sendo defeito, não tinha jeito:

    – Senão seria como pedir a Nelson Gonçalves para não ser gago e a Nelson Ned para não ser anão, ou querer que Elis Regina não fosse baixinha, como Garrincha era um boboca praticamente aleijado, ao passo que o Aleijadinho, como o próprio nome já diz… E Roberto Carlos é perneta, Tim Maia obeso como Churchil, que jamais conseguiria ficar duas horas com o braço levantado no palanque diante das paradas militares, como ficava o abstêmio Hitler, mas quem ganhou a guerra foi o obeso Churchil em parceria com o cadeirante Rosevelt!”

Mário Pellegrini in Minhas Lembranças de Leminski, 2014, Geração, S.P. pp 88-9 (coisa deliciosa em forma de livro, mais que biografia)

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