Televisões

Tocam a campainha. Ao abrir, um fuinhas esgalhado, uma lista e uma caneta nas mãos. Um boa noite distante, que verifica as licenças de televisão, que vem da parte da televisão estatal. Pergunta se tenho televisão em casa. A primeira coisa que passa pela cabeça é responder com outra pergunta – se é ofensa ou piada. Respondo que não, que sou antiquado. Gammeldags. Que tenho uma espécie de biblioteca.

Há coisa de um ano apareceram a tocar à porta da casa portuguesa dois jovens, um ele e uma ela, perguntando se queria os serviços de uma operadora que fornece televisão por cabo. Dessa vez gracejei. Que até a convencional tinha desligada porque era um desassossego quando a via: sonhos eróticos constantes com a Teresa Guilherme e com o Manel Luis Goucha, cólicas de riso com as piadas do Nilton. «Mas façam o favor de entrar, tomem uma cerveja, vou fazer uns ovos mexidos com presunto, isto está na hora de lanchar, não andem por aí a desgraçar moral e os bons costumes, a tranquilidade das famílias.» Com o sorriso amarelo que se dedica a blasfemos e engraçadinhos recusaram e seguiram.

É uma das tragédias nacionais a que todos os anos ocorre por altura dos incêndios florestais. Não serem também as estações de televisão, pasto de idiotice, pasto das chamas.

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