«morcedes», «marcedes», Mercedes

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Volto frequentemente aos romances (e aos fragmentos deles) de Rentes de Carvalho. Sempre me delicio com a sua capacidade de empatia, de observar, de compreender. Novamente, n’ O Meçaso detalhe dos Mercedes no imaginário das gentes.

Campónio, também eu assisti a esse imaginário. Ao culto, à reverência do objecto, um ídolo. Um Mercedes. Se não me enganou o ouvido, por vezes, ali no norte do Ribatejo havia até na ênfase com que se dizia a palavra duas entoações ligeiramente diferentes. Um «marcedes». E um «morcedes». Talvez tenha sido esta segunda forma de entoação que deu origem à história que uma colega hoje de manhã me contou. Comentávamos que o prestígio do Mercedes tinha entrado em declínio. E ela:

– É pá, sabes que lá na nhê terra (Benfica do Ribatejo) há uma estória ingraçada, já há muitos anos qu’isto foi. Um de lá chega-se ao pé da m’lher e diz:

Ah c’hopa! … (sabes qu’ali tudo se trata por oh ch’chopa e oh r’pá).

Diz ele:

Ah c’hopa! S’calhar tô capaz de comprar um Mercedes!

E vira-s’ela mu’ta d’pressa e ós gritos:

Nã me tragas nada disso cá pra casa. Compra-me patos, ó galinhas, ó piruns! Agora merda dessa cá in casa nã quero! Qu’ê nin sê tratar disso!

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