Belles toujours: Astrid Wiese Brinck, a dura do queijo mole

 

 

É improvável que apareça na série Belles toujours do Delito até porque poucas fotos disponíveis se encontram. Por issso cá fica: Astrid Wiese Brinck. A modelo de Oslo, um ícone de beleza feminina dos anos trinta, cuja imagem sucessivas gerações conheceram através de uma popular marca de queijo mole:

Em 1940 ao tratar um ferido de guerra (Christian F. Brinck) enamora-se e acabam por casar, ter uma filha, Titti. Homem da resistência, membro do grupo Milorg, Christian vive com Astrid e com a pequena filha numa quinta (Erstad, em Hadeland) em 1943. É aí que uma equipa da polícia do regime fantoche das forças ocupantes (gestapistas, o termo pejorativo usado pelos noruegueses) os vêm surpreender de madrugada enquanto dormiam ainda. Christian resiste à ordem de prisão. O chefe da brigada tem fama de assassino e de abusador sexual, há armas da resistência escondidas na quinta.

 

Na  confusão que se arma, a polícia não presta atenção a Astrid. Esta alcança o armário onde sabe que está a sten-gun. Nunca disparou na vida. Mas isso não a impede, ainda que ferida com três tiros, de escorraçar a brigada de polícia a tiro. Em camisa de noite, dentro de casa primeiro, no exterior depois, descalça sobre a neve (estavam 16 negativos nessa noite), até que finalmente pôde socorrer o marido atingido em órgão vital. Seriam capturados pouco depois quando chegaram reforços alemães. Hospitalizados, ambos sobrevivem. Para em seguida serem condenados à pena de morte que aguardaram por mais de um ano no campo de concentração de Grini. Um oficial alemão, filho de mãe norueguesa, foi passando o seu processo para a parte inferior da pilha de papéis.

Finalmente, a libertação, em Maio de 1945. E, quanto a mim, uma das mais belas fotos desses dias da libertação: Astrid, Christian, Titti.

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Em 1946 durante um dos julgamentos dos que tinham colaborado com o invasor (Rettsoppgjøret) foi ouvido o testemunho de Astrid. O juiz, ouvida a testemunha, levantou-se em sua homenagem e comentou: «Que mulher. Perante uma mulher assim, levantêmo-nos.» Levantou-se a audiência na sala, os advogados. E, os réus. Os cinco que tinham sido varridos a rajadas de sten-gun.

Nos seus dias mais tranquilos, em idade avançada, condecorada pelo rei com uma das mais altas distinções nacionais (cavaleiro de 1º grau), Astrid. E a vassoura pousada sobre a mesa…

 

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