Unhas sujas de livreiros, defeitos meus

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Chegado a Oslo a meio da tarde de ontem fui convidado por amigo a ir ao armazém de um outro livreiro escolher livros. Grátis. Vai haver leilão de lotes, é pena não ficar com algumas preciosidades. Mudamos caixas, arrumamos estantes, escolhemos o que nos interessa, o que acaso oferece e em vão se procurou. Têm ambos as unhas sujas, noto.

Esta manhã, ao falar com a livreira minha vizinha na praça Sofiesplass, noto o mesmo. Unhas sujas. É tempo de jardins, relvados, rosas, abetos. E, de volta ao navio, nas caixas de madeira com as ofertas com desconto no passeio em frente de uma outra alfarrabista, versos de Arne Ruste, notas e aforismos de Hans Børli. Entre os quais aquele em que aconselha: «Nunca emprestes ou ouvidos a gente que fala com demasiada facilidade e fluência. Aquele que tem realmente tem algo a dizer, esse, frequentemente gagueja.»

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Novamente, a senhora já idosa que se senta ao computador quando entro e a cumprimento com um beijo, mexe nos livros e recebe o dinheiro da compra, as mãos arranhadas e as unhas sujas. Mais uma vez, jardins, relvados, rosas, abetos, livros poeirentos, versos, aforismos, mudados de um lado para o outro, por estantes, caixas de tábua ou cartão. Sociedades afluentes, paradoxos.

Venho de bicicleta Drammensveien abaixo, apreciando o sol e a sombra das árvores com um sorriso aparvalhado. Sorrio desta tendência (ou defeito) que tenho de ver em gente com unhas sujas sinais de higiene.

Sobre soliplass

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