Pois é meus caros

 

Pois é meus caros. Hoje trago-vos, meus caros, estimadíssimos leitores, uma página de Camilo. De “O Cego de Landim”. Ora vejam (antes de me mandarem bardamerda por vos estar a mostrar uma página em norueguês), aquele sublinhado:

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Aquilo, meus caros, é apenas uma página (160) da história dos vagabundos e andarilhos na Noruega. De Thor Gotaas. E o que ali diz é simples: que, ou ainda no séc. XIX ou já no séc. XX, nesse ponto o texto não o especifica, a polícia advertia os cidadãos contra os perigos de vigaristas de várias nacionalidades que percorriam o território. Entre outros, falsificadores de moeda portugueses. É lógico, pensando nas páginas de Camilo. Um tipo embarca num navio no Porto ou Viana, chega aqui e faz o que sabe fazer. É lógico para um literato.

Um politólogo como eu, ou outro estudante de ciências sociais, provavelmente leva o raciocínio mais longe: o tipo não traz apenas consigo a tecnologia que lhe permite falsificar moeda. Traz outra, porque as atitudes e valores sociais também são tecnologias (que funcionam melhor ou pior consoante a sociedade), traz consigo a tecnologia que mil vezes ouvimos repetida: “quero que os outros se fodam!” E com essa, suspeito, os falsários  de moeda portugueses chegaram aqui ao reino bem equipados.

 

 

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