Levar e trazer, diplomacias

Conta-me – para choque meu – o amigo alfarrabista aqui de Oslo que dos livros que estavam no armazém de outro conhecido (deste post) cerca de dez mil foram para o lixo. Ou seja, a quase totalidade dos que tinha em armazém. Deles se salvaram poucos, entre vendidos ao público e os que ele (o meu velho amigo) consegui transportar para outros alfarrabistas em Copenhaga. Menos os vendeu (os que consegui meter num Nissan Qashqai) que os salvou.

Mais os que eu trouxe. É certo que poderia ter trazido os que me tivessem apetecido, que foram muitos. Mas há sempre, quando me fazem estas (ou outras) ofertas, um certo tolhimento. Tenho visto ao longo dos anos no comportamento dos colegas portugueses uma atitude que considero execrável. Mais os preocupa o que de cá sacam que cá deixar algo de bom.

Foi um negócio mau aquele dos livros. Já tinha ficado com eles de um outro alfarrabista na tentativa de os proteger. Não é livreiro, é biólogo e funcionário público. A brincadeira, entre tempo perdido e aluguer de armazém, não lhe deve ter ficado barata.

Talvez tenha oportunidade de lhe devolver um pouco. Não os livros que me deu, mas ter feito aquele esforço de preservar memória colectiva. Tem uma cabana de troncos para construir num qualquer lugar em Telemark, se a disponibilidade de tempo me permitir lá irei ajudá-lo a pô-la de pé armado de motosserra e machado. Que é coisa que os colegas portugueses por vezes me perguntam o porquê. Eu apetecia-me por vezes responder «para que não tenhas que viver assim»; mas seria pouco diplomático.

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