Path dependence meus senhores

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Eu até não me admiro de o outro não ter gostado de O Meças. O romance é bem capaz de nos estar a contar uma história paralela que não é exactamente a da violência do sujeito mas a da impotência (especialmente a colectiva) em que um tipo de sociedade que produz vidas como a relatada fatalmente cai.

Ou ninguém reparou que ao lermos O Meças estamos também a cair dentro de um dos modernos quebra-cabeças da Ciência Política? O que foi levantado por Robert Putnam com os seu estudo seminal acerca das diferenças entre o norte de Itália e o Mezzogiorno?

“stocks of social capital…tend to be self-reinforcing and cumulative. Virtuous circles result in social equilibria with high levels of cooperation, trust, reciprocity, civic engagement and collective well-being. These traits define the civic community. Conversely, the absence of these traits in the uncivic community is also reinforcing. Defection, distrust, shirking, exploitation, isolation, disorder, and stagnation intensify one another in a suffocating miasma of vicious circles.”

Making Democracy Work , p. 177

E qual a história que o bom Rentes de Carvalho nos traz? Dizem muito bem! – a de um «círculo vicioso». Daquelas coisas que fazem as sociedades disfuncionais; e que as fazem continuar disfuncionais ainda que se lhes atire com dinheiro e regras europeias para cima.

Experimentem, através de uma experiência hipotética ou imaginária, pôr aquela gente que o romance descreve a ter que coordenar-se para resolver um problema de acção colectiva. Estão a ver o problema. Bicudo, né?

Path dependence meus senhores, path dependence.

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