Recusas europeias

É uma memória estranha. Trabalhar uma hora numa fábrica deserta. A cara de estupefacção do chefe do escritório (assim designavam a criatura acéfala) quando lhe disse que ali havia uma escolha a fazer. Voltando da primeira hora do curso de formação profissional financiado pelo Fundo Social Europeu a que fui assistir na outra fábrica da empresa, e onde se ensinava física newtoniana a operários semi-analfabetos (através de equações que até tinham sido escritas de forma incorrecta no quadro do refeitório onde as palestras iriam decorrer), subi ao escritório e comuniquei a coisa simples. Ou me era permitido trabalhar no interior da fábrica (ainda que sozinho) das cinco às seis cumprindo o horário estipulado ou que me despedia ali na hora. Assistir e participar em merda daquela é que não. «Mas você está a falar a sério?».

Deve ter descoberto no outro dia que sim ao falar com o patrão que se riu do assunto e aceitou dar-me uma hora de fábrica em exclusividade. Eu era ou maluco-e-meio ou meio-maluco; e ( pilhérias àparte) falava, quase sempre, mais a sério que o costume.

.

Sobre soliplass

email: friluftogvind@gmail.com
Esta entrada foi publicada em Uncategorized com as etiquetas , . ligação permanente.